“Vi outro anjo forte descendo do céu, vestido numa nuvem,o seu rosto era como o sol, e os seus pés como colunas de fogo”


Tem sido bastante agradavel assistir ao crescimento dos suiços Borgne e se o anterior “IV” foi um album que rodou com alguma regularidade por estes lados este novo “Entraves de l’Ame” tem tudo para rodar ainda mais, já que é sem sobra de duvida o seu trabalho mais completo e cosmico desta nova fase de Borgne.
Aqueles ambientes orquestrais que o projeto começou a usar mais no ultimo album aqui ganham um esplendor absolutamente incrivel, acabando por transformar os temas numa viagem noturna digna de destaque e onde a abrasiva crueldade dos temas encaixam de uma forma que nos eleva para o lado mais cosmico da musica.
De uma majestosidade que vagueia entre DarkSpace, e os melhores momentos do passado de Lunar Aurora, Emperor (da fase ITNSE) ou Limbonic Art.
Borgne e o seu criador demonstram aquilo ao que vêm e naquilo que se tornaram nestes ultimos anos…um projeto realmente imparavel e uma das bandas mais interessantes dentro dos dominios mais espaciais da musica extrema.
Não será ao acaso que o lider Bornyhake (mais um português a dar cartas tal como o pessoal de Rorcal) se une aqui ao Malefic dos miticos Xasthur e ao Christoph Ziegler de Vinterriket (que acabam por ser duas peças essenciais na criação deste “Entraves de l’Ame “) para a construção desta magnifica obra de arte extrema.
O som complexo e extremo é engolido pela imensidão profunda saida das orquestrações quer sejam elas tocadas á velocidade da luz quer se transformem numa viagem fantasmagorica por entre a floresta numa noite escura..
Alias a forma como se consegue unir estes dois aspetos é um dos pontos mais altos e fascinantes aqui presentes, já que a escuta deste album se vai tornando com o tempo numa jornada que mistura o lado belo da cosmologia com o lado mais profundo da natureza no seu sentido mais “ecologico”, gerando uma viagem epica, fantastica e quase catatonica por entre tudo aquilo que rodeia o nosso ser, deixando-nos num estado que mais se aproxima do transe do que outra coisa qualquer…um pouco como fazem os alienigenas DarkSpace, embora Borgne sejam mais soturnos, horrorosos e terrestres..
Borgne atua como estivessemos possuidos pelo espirito de Xasthur, fossemos visitados por DarkSpace e subitamente atirados para os ritualismos ancestrais criados por Limbonic Art..talvez a imagem sonora mais insana e ao mesmo tempo mais perfeita para descrever aquilo que se ouve ao longo deste excelente album.
Um enorme salto qualitativo sem duvida alguma, em todos os pormenores aqui escutados, desde a tal envolvencia orquestral até ao som bastante extremo e caotico que o projeta enama de dentro de si, criando esplendorosas estruturas musicais que nos dias de hoje sinceramente já não se vão encontrando muito (pelo menos a soarem com este poder), assim de repente lembro-me de Nazxul ou Ruins of Beverast, que tambem acabam por ser influencias embora num dominio não tão direto como o DarkSpace por exemplo.
Um album obrigatorio, magico, envolvente e sem duvida alguma majestoso como já á muito não ouvia dentro deste estilo e sem sombra de duvida uma das coisas mais fantasticas que vão encontrar neste final de ano no que ao BM de tendencias mais planantes diz respeito…
Surpreendente mesmo…entrem nesta viagem de olhos bem fechados..Borgne vai-vos segurando e preparando para o regresso das outras 3 entidades..e até lá sintam já o clima de horror que antecede cada nova visita de…

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