A Cidade

Como este é o primeiro texto, devo começar por agradecer a todo o pessoal da Amplificasom pelo convite e pelo trabalho que desenvolvem com bandas bastante interessantes, e ao Nuno Silva pela amizade e por ter sido através dele que o meu homónimo Miguel falou comigo.
Uma coisa interessante para mim é o ambiente urbano. Cresci naquilo que os Americanos chamariam suburbia, bairros que antes eram campo, com várias casas geminadas e alguns prédios, espaços verdes, e uma distância confortável do centro das cidades que permite que sejam facilmente acessíveis de carro, mas que deixam as crianças crescerem em paz pois não há a possibilidade de surgirem muitos elementos destabilizadores. Até aos meus doze anos foi assim, e depois disso, por causa de revistas, da internet e da minha curiosidade natural, quis procurar mais coisas.

A cidade sempre foi para mim um sinal de independência, de anonimato. A primeira vez que eu saí à noite tinha 11 anos e fui de bicicleta com umas pessoas do meu bairro para o centro da cidade. Como era normal estar no meu bairro, sempre tive liberdade para chegar a casa a qualquer hora, pois no Verão, era normal estar eu e os meus trinta vizinhos a jogarmos futebol até às três da manhã. Claro que ir à cidade significava eu sair da zona de conforto, portanto tive de voltar antes da meia noite para ninguém notar, mas foi um passo importante para descobrir mais. Na minha vida, tive a felicidade de primeiro ser levado a muitos países diferentes, e depois impus a mim mesmo uma mentalidade em que importa estar em movimento e ver coisas novas, pelo mundo fora.

Como eu disse, pelo ambiente onde eu cresci, o espaço urbano é algo que me fascina pois era o que estava distante, a natureza era para mim acessível, bosques, florestas e afins, estavam apenas a um passeio de bicicleta de distância. Hoje em dia, costumo dizer que ‘se eu quisesse estar nas hortas, estava no meu bairro‘, pois tenho ali o que preciso da natureza e isolação de tudo o resto, e é sempre bom regressar. É por isso que quando viajo, prefiro sempre os espaços urbanos.

A minha formação académica passa pela arte, e também um pouco pela arquitectura, pelo seu lado teórico, portanto os edifícios são uma das coisas que me chamam a atenção numa cidade. Das poucas qualidades que tenho, a capacidade de chegar a um sítio novo e, numa tarde, orientar-me numa cidade é uma delas. Não sei descrever o porquê, mas acreditem apenas que isso acontece. Desde conseguir descobrir lojas de streetwear em Hong Kong por instinto, sem olhar para as moradas que levava, até explorar Londres à noite, lojas de discos em Nova Iorque ou Bruxelas, museus em Oslo, lojas em Tóquio, eu consigo sempre descobrir as coisas sem precisar de mapas. De qualquer modo, o que me interessava falar era de como olho para uma cidade.
É importante estar num sítio, mas mais do que isso, é importante ter os olhos abertos para ver coisas, e a cabeça a pensar no que se está a ver. Como disse, os prédios são uma das coisas que me chamam a atenção. Como skater, procuro instintivamente por ledges e banks, vendo utilidade em coisas que as outras pessoas ignorava. Como alguém que se interessa por arte, procuro por coisas nas paredes, sejam graffitis ou publicidade. Busco também por espaços verdes, e bons enquadramentos urbanos, sempre com uma fotografia em mente por outro interesse meu. Por fim, procuro a história da cidade por causa de livros que eu goste que se relacionem com o espaço, ou então as histórias dos habitantes, para conhecer pessoas. É uma maneira de tentar ser mais activo no espaço que ocupamos.

Agora que já nos conhecemos, e disse algo sobre mim e os meus interesses (e é sempre mais interessante conversar sobre isto a dois do que eu estar aqui a debitar conversa), podem entrar em contacto comigo. Quanto ao resto do mês, esperem textos bastante variados por aqui, que não devem ter muito em comum, mas que são uma parte de mim que eu gostava que outras pessoas conhecessem.

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