A Cláudia Mecânica: (500) Days of Summer

Ok, hoje vou cair num cliché enorme e peço que me perdoem por isso. Mas verdade seja dita, o (500) Days of Summer tem uma bela selecção musical! The Smiths à parte, tem Regina Spektor, Black Lips, Feist, Simon & Garfunkel, Wolfmother e até a ex-primeira dama francesa Carla Bruni. Acho que este é mesmo um dos grandes factores de sucesso, mas já volto à música.

Acho que este é daqueles filmes que a partir de certa altura passou a ser cool ver e comentar. Hipsterismo à parte, fico contente por lhe ter pegado antes, ou muito provavelmente teria-o arrumado num canto, tal foi a overdose de quotes e músicas espalhadas por todo o lado. A história é simples e à qual é fácil ligar, já que muito provavelmente todos passámos por semelhante: rapaz apaixona-se por uma miúda aparentemente igual a ele. Ouvem a mesma música, gostam de fazer as mesmas coisas. Envolvem-se. A partir de certa altura as coisas não correm bem, ela afasta-se e ele entra em depressão (“Just because she likes the same bizzaro crap you do doesn’t mean she’s your soul mate…“). Nós, deste lado, acompanhamos a evolução da relação ao logo dos 500 dias que a Summer dura na vida do Tom: desde a fase do conhecer, iniciar a relação, desenvolvimento, separação, depressão até ao tardio e doloroso moving on, não necessariamente por esta ordem já que a história vai saltando para trás e para a frente nos dias. Nada de bizarro, portanto.

Não sendo o melhor filme de sempre, acho que já o vi umas 3 vezes. Deixa-se ver bem, toca em pontos certeiros, a música é boa, gosto do Gordon-Levitt a fazer de Tom e da Zooey Deschanel, num dos únicos papéis em que se consegue safar (não vou comentar a série onde é protagonista, New Girl, é demasiado má). Mas esta Summer até em mim me cria vontade de amaldiçoar a crueldade feminina para sempre.

Voltando então à banda sonora, depois da voz off que nos deixa logo colados à cadeira com a sua introdução, apresentando-nos Tom e Summer, mas deixando bem claro que isto não é uma história de amor, entra o inconfundível piano de Regina Spektor. Us, comandado pela voz da irresistível semi-russa/semi-americana avança com o genérico. Acho que foi aqui que me rendi imediatamente ao filme: já sigo o trabalho dela desde que o Begin to Hope saiu. Entretanto apaixonei-me pelo Soviet Kitsch, onde está esta Us. Ouvir as primeiras notas e ser apanhada de surpresa pela escolha para banda sonora foi meio caminho andando para continuar a ver o filme até ao final.

Prosseguimos.

Impossível é falar sobre este filme sem falar de The Smiths, a banda que aproxima o casal que podia ter sido. Summer, a miúda nova do escritório, entra no elevador onde estava Tom e mete-se com ele por causa da música que lhe saía dos headphones. Começa a trautear There Is a Light that Never Goes Out e a elogiar-lhe o gosto músical (“to die by your side is such a heavenly way to die“). Claro que o rapaz fica embevecido na hora. Curioso porque The Smiths é aquela banda que vemos qualquer um deles a ouvir facilmente à medida que os vamos conhecendo melhor também.

Entretanto começam a sair juntos e a relação de amizade acaba mesmo por resvalar. Enquanto os problemas da diferença de expectativas não se sobrepõe (ela deixa claro desde o início que não quer uma relação; ele apaixona-se), vamos assistindo a uma série de cenas bem simpáticas entre os dois. A primeira que me salta logo à memória é a dança de celebração do Tom no meio da rua depois de ter dormido pela primeira vez com a Summer. Ao som de “You Make My Dreams” de Hall & Oates vai desfilando, enquanto inúmeras pessoas se vão juntando à volta dele e acompanhando na coreografia. A outra é a ternurenta cena no IKEA, talvez a única em que podemos acreditar mesmo que aquela história até podia ter tido um final feliz. Mas só mesmo ali. Aqui temos Doves com a “There Goes the Fear” a tocar por trás e a acompanhar os dois palermas a brincar às casinhas.

Inevitavelmente, as coisas acabam mesmo por dar para o torto a pouco mais de meio dos 500 dias. Eles acabam, ela despede-se e desaparece, ele inicia o processo depressivo. Pelo meio, acabam por se encontrar num casamento, onde dançam, conversam, e ela acaba por convidá-lo para aparecer em casa dela numa festa. Este acontecimento lança a minha cena preferida: enquanto Tom se vai dirigindo para a festa, vemos o ecrã a dividir em dois. De um lado o que ele vai a imaginar que vai a acontecer, do outro a realidade. Claro que a esperança de voltar com a Summer se acendeu toda de novo; enquanto ele se vai aproximando e imaginando um encontro emocionante e arrebatador, a verdade vai-se revelando e ele acaba por encontrar a sua amada de anel de noivado no dedo. A revelação vem acompanhada, mais uma vez, da arrebatadora voz de Regina Spektor, desta vez com Hero.

E chegamos assim aquele que é para mim o clímax do filme. A partir daqui não há nada que mereça um destaque deste género: ainda mais depressão, Wolfmother pelo meio, até chegarmos ao turning point onde tudo começa a melhorar.

Termino reforçando a ideia que tentei deixar acima: não sendo o melhor filme de sempre, é um filme que se deixa ver bem. Apesar de todo o hype, merece ser visto, pelo menos uma vez, nem que seja para apreciar o desfile de boa música que por lá vai surgindo.

Ah, não podia encerrar este post sem esta de baixo. Até para a semana!

http://www.youtube.com/watch?v=CUFcfXgW_dQ

Comentários

Comentar