A Cláudia Mecânica: A Clockwork Orange

E para concluir, a  escolha que seria a mais óbvia desde o início da rubrica. Hoje é o dia que me despeço! A consciência pesa-me imenso pelas inúmeras obras que deixei de fora e que mereciam com toda a certeza um destaque aqui.

O A Clockwork Orange é o meu filme preferido, aliás, sou fervorosa fã do Stanley Kubrick. Este filme, baseado na obra com o mesmo nome de Anthony Burgess, desenrola-se numa Londres entre o futurista e o decadente e conta a história de Alex, um curioso anti-heroi que, juntamente com os seus “droogs” (russo para amigos), gosta de semear o caos por onde passam. Chamam-lhe a ultraviolência. Um dia, e com a conveniência dos seus droogs, é apanhado e condenado a um tratamento de reabilitação quase tão cruel como os seus actos.

Não querendo entrar em discussões moralistas, que esse tema está mais que lido, e indo directamente à banda sonora, este é um daqueles casos onde a música é essencial no filme. Alex é um grande apreciador de música clássica, especialmente Beethoven. A Nona Sinfonia (o secondo movimento senhores, o segundo movimento!!!) é, aliás, um dos grandes centros da acção.

A música passa da preferida do nosso sociopata para uma aversão brutal, ou não fosse esta a banda sonora dos filmes de extrema violência que Alex é obrigado a ver durante o tratamento (género de rehab) a que é submetido. Chamaram-lhe a Ludovico technique (imaginamos porquê…). A força e o crescendo de alguns movimentos acabam por encaixar de forma peculiar nas diversas cenas. Imagem um idoso a ser espancado ao som da Nona Sinfonia. É o tom irónico a crescer exponencialmente.

Grande parte da restante banda sonora tem outras faixas de música clássica, como por exemplo excertos de composições de Rossini. A outra parte da banda sonora foi entregue a Walter Carlos (ainda antes da operação que o transformou em Wendy Carlos), que construiu as faixas com a ajuda dos sintetizadores que manipula com mestria. Wendy Carlos ficou conhecida pelas adaptações de Bach aos sintetizadores. No caso da Laranja Mecânica, há a registar a subliminar adaptação de uma composição de Purcell (Music for the Funeral of Queen Mary).

Deixo-vos com este excerto épico. Foi um prazer partilhar convosco algumas linhas sobre filmes. Muito obrigada a todos os que tiveram a paciência de as partilhar comigo. E um grande obrigada à Amplificasom pelo convite.

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