A Cláudia Mecânica: Fight Club

Um dia alguém me disse que o Fight Club é daqueles filmes que tem de ser visto de tempos a tempos. Não podia concordar mais pois acabo por fazer o mesmo quando sinto que está na altura.

Diz que a primeira regra é não falar sobre o Clube de Combate, mas acho que vale a pena correr o risco. O filme é do David Fincher, um dos meus realizadores preferidos, e adaptado do livro com o mesmo nome, do igualmente grande Chuck Palahniuk (se gostam de ler, se se identificam com este género de tramas e ainda não leram nada dele, façam um favor a vós mesmos e tapem esta lacuna). Este acaba mesmo por ser um dos raros casos em que o filme iguala (ou supera, mas isto já pode ser perigoso afirmar) o livro, que já de si é fabuloso.

A história já é provavelmente vossa conhecida: a acção gira em torno de duas peculiares personagens que cruzam caminho numa viagem. Um, o narrador, sofre de insónias e vicia-se em grupos de ajuda de todo o género, onde encontra alguma paz de espírito para conseguir dormir. O outro é  Tyler Durden, vendedor de sabonetes. Um dia, encontram-se num bar após o narrador ficar sem casa, e onde a conversa resvala para o tema do consumerismo e a insatisfação face ao estilo de vida que o mesmo provoca. Cá fora, descobrem uma nova forma de terapia/libertação ao envolverem-se numa luta. O acto repete-se noutros dias e rapidamente se alastra a outras pessoas, nascendo assim o tal Fight Club, cuja palavra rapidamente se espalha e acaba por contagiar outras cidades, originando algo muito maior chamado Projecto Mayhem. Os irrepreensíveis desempenhos de Edward Norton e Brad Pitt nos papéis principais em muito ajudaram a tornar este filme um verdadeiro culto. Dois grandes actores lado a lado a demonstrarem uma química muito invulgar.

Quanto à parte musical, hoje não tenho imenso para vos mostrar ou falar separadamente; no entanto, se há filmes que têm sempre bandas sonoras que mexem comigo são os do Fincher. A razão por ter escolhido esta prende-se pelo factor mudança. Até aqui, seu preferido e escolha recorrente era Howard Shore (com quem trabalhou noutro dos grandes, o Se7en). Só que para este filme, o realizador procurava algo diferente. Tendo em conta o enredo e todo o ambiente que pretendia criar, quis explorar um caminho mais electrónico. Para o fazer, tinha em mente contactar alguém que tivesse pouca (ou nenhuma) experiência em musicar filmes. Reza a lenda que a primeira escolha seriam os Radiohead, mas quem acabou por tratar do assunto foram os Dust Brothers, duo de produtores e reis no uso de samples. O seu currículo é invejável: trabalharam com nomes como Korn, Beastie Boys ou Beck. Mas foi com a banda sonora do Fight Club, que inclusivamente lhes valeu o grammy para álbum do ano, que conseguiram dar o seu nome a conhecer a um público muito mais abrangente.

Esta banda sonora é considerada uma das melhores compostas nos anos mais recentes. Sinto-me tentada a concordar porque acho há uma simbiose perfeita entre música e imagem, como se só fizessem sentido uma com a outra: estes temas noutra imagem nunca resultariam e vice-versa. Talvez seja por isso que das raras vezes que decidi ir ouvir o cd isoladamente, me ficou sempre um travo estranho porque não é a mesma coisa. Aliás, não é cd que recomendasse ouvir por si só porque a pouco sabe. Mas não me entendam mal, alguns temas adquirem uma força brutal durante a trama: os baixos, os teclados ou a mestria dos Dust Brothers em brincar com samples e criar boa música electrónica.

Um dos temas que quero referir hoje é a Stealing Fat, que resulta numa descarga energética usada durante a abertura e que nos deixa imediatamente colados à cadeira.

http://youtu.be/1EOb7lcto0k

O outro que quero destacar, por ser o meu preferido, é a Medula Oblongata, pela diversidade de elementos que nela contém (e o baixo senhores, o baixo!!!)

Deixo-vos por hoje da mesma forma que o próprio filme termina: com a única música da banda sonora que não foi criada pelos Dust Brothers, mas que é bem conhecida de todos vós.

http://www.youtube.com/watch?v=RCD14IrOcIs

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