A Gata do Doom: …Crawling from the black depths

 Only first take is real! – Alkerdeel

Quem acompanhar a “nossa” Universal Tongue provavelmente já ouviu falar dos belgas Alkerdeel: os dois lançamentos anteriores a Morinde, que saiu no início de 2012, De Bollaf! (2008) e De Speenzalvinge (2010) tiveram lançamento pela UT, o último em colaboração com a At War With False Noise (outra editora que edita muita música interessante, com preços sempre apelativos e uma longa secção de distro).
O cabeçalho da sua página oficialFilthy blacksludgedronedoom from Belgium! – resume de forma satisfatória o que podemos ouvir em Morinde (podem fazer stream no bandcamp): tanto tem passagens de black metal furioso como músicas que fazem lembrar os melhores momentos de bandas como Ramesses, ou tudo na mesma música. O que nunca perdem é a identidade e uma energia especial, ao seguirem o mottoOnly live is real!” (no início era first take) – o álbum foi gravado apenas num dia, ao vivo numa garagem. O único extra são pequenos segmentos no início da primeira faixa e no final da quarta e última música (um épico de 20 minutos), da autoria de Mories (Gnaw Their Tongues).

Let her come like a serpent...

Justin K. Broadrick em 2012 não é só sinónimo de Posthuman. Valley of Fear é um projecto que junta JK Broadrick, Matthew Bower (Skullflower) e Samantha Davies (a cara metade do Bower, com quem tem colaborado nos últimos anos em Skullflower, Voltigeurs e mais recentemente Black Sun Roof!), e o resultado é exactamente o que se podia imaginar tendo em conta os envolvidos, mas nem por isso menos interessante: uma muralha de três guitarras e baixo, com bateria programada a cargo do Broadrick. Embora a nível de guitarras a influência maior seja do casal do noise, a mão do Broadrick não passa despercebida e acaba por tornar o Valley of Fear num álbum não diria acessível ou catchy, mas que conquista e nos absorve rapidamente, com os riffs e a bateria a fornecerem uma estrutura sólida às faixas – uma espécie de mistura de Skullflower na sua variante mais psych-noise com alguns devaneios do Disconnected de Greymachine.
Quem não tiver amor próprio aos ouvidos e quiser tirar o melhor partido do disco, é colocar os auscultadores e aumentar o volume para 30 minutos de noise severo e psicadélico (poucas pessoas o fazem tão bem como o Bower), com inspirações de black metal e um ambiente Godfleshiano.

(Estou impossibilitada de usar outra coisa que não seja um telemóvel velho, por isso finjam que as fotografias lo-fi são para combinar com a música.)

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