A Nossa Necessidade de Poemas é Impossível de Satisfazer

sei que não temes a chegada da noite
e o que ela traz. a hora
em que o teu rosto se transfigura em mil desejos
de uma liberdade indizível, e vagueias
como um réptil em busca de calor inebriado
pelo odor a sangue que paira no ar.

conheço esses anseios, dissimulados
sob a fina camada de brilho,
que aguardam o momento.

reconheço em ti esse ensejo de
à bruxuleante luz das chamas
matares o teu irmão quando devias
dilacerar a garganta do carcereiro.

sei que não entenderás esta dor
até à alvorada
quando os primeiros raios de sol
penetrarem a caverna
e chorares pela noite que ocultava
a tua bestialidade.

 

 

originalmente publicado em: http://asvozesdoabismo.blogspot.pt/2008_05_01_archive.html

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