A Primavera dos Fuck Buttons

Antes de terem passado este fim-de-semana pelo Porto, bandas como os Om, Shellac, Fuck Buttons e Metz estrearam-se em Portugal via Amplificasom. Sobre as mesmas tenho a dizer o seguinte: mesmo ao ar livre, os Om serão sempre os Om; para os Shellac já não há grande paciência (alinhamento, tiques.. ao fim de alguns concertos cansa); os Metz vão ser muito muito populares, não tanto pela qualidade musical mas por toda aquela energia contagiante que emanam em palco; já os Fuck Buttons estão numa forma incrível. Venha o novo disco (Slow Focus sai em Julho) e mais concertos por cá p.f. Não foi o meu concerto preferido do festival porque há uma banda chamada Swans…

Comentários

Comentar
  1. T. Ramiro

    E Explosions in The Sky? Superou tudo o que esperava, concertão, também. Apaixonei-me de novo por eles. My Bloody Valentine não foi perfeito como esperava, longe disso, mas gostei, pode ser que para uma próxima dêem “aquele concerto”. Queria bastante ver a banda de Loveless.
    Ghostdigital foi no mínimo marcante, fez lembrar os Circle há uns anos (quem viu e me estiver a ler percebe o que digo).
    Num cartaz tão vasto não deu para ver tudo o que gostava mas foi um belo festival.
    Posso ver Swans 20 vezes que é daquelas bandas que marca sempre. Venha o próximo disco, o próximo concerto, etc.

  2. André

    Ei Tiago! Gostei de te ver, pá :-)
    Percebo o fascínio de quem viu EITS pela primeira vez, há todo um lado emocional que não é colocado de parte. Não sei se foi o teu caso, mas quem os viu há uns bons anos (primeiro no Mercedes e depois no Blá Blá – a uns 5 minutos do Parque da Cidade) tem geralmente concordado comigo no quão medíocre foi este regresso. É apenas uma opinião, vale o que vale, mas não fazem bons temas desde 2003 e esses já os ouvimos ao vivo. Saí, saí antes de terminar e vi umas Savages a darem um excelente concerto. Não faltará muito para estarem no palco principal, deste ou doutro festival.
    Quanto a MVB, as vozes estavam muito atrás, a banda não tinha garra e energia em palco (o baterista vá), mas talvez seja mesmo assim, talvez seja uma banda de discos. E que bons são os discos…

  3. T. Ramiro

    Também gostei de te ver. :)
    Não vi essas miúdas, mas toda a gente fala do concerto, foi assim tão bom?
    André, acredita que está longe de ter sido pelo lado emocional, nesse aspecto digo-te já que me batem mais uns Mono ou uns Mogwai (embora nos escoceses seja um mix de vários factores). Fiquei encantado essencialmente pela execução dos temas, pelo feeling deles, pelo respeito que o público teve (incomum num sítio ao ar livre), não consigo ver a mediocridade que citas, mesmo em estúdio, tanto que considero o último lançamento deles bastante satisfatório e com pormenores novos, acho que por exemplo os Mono estagnaram muito mais em termos criativos. Acredito que não te batam como há uns anos, eu próprio já não me lembrava de os ouvir em disco, e mesmo dentro do género mantenho poucos casamentos.
    Mas algum dia tive dúvidas que os EITS deviam pertencer à elite do post-rock, já não as tenho mais.

  4. André

    Os Mono estagnaram, propositadamente diria, numa formula e ambiente criados por eles próprios. Consegues perceber a diferença na genuinidade? É onde quero chegar porque os próprios Mono quando começaram também eram cheios de tiques (sobretudo dos Mogwai – GY!BE ninguém consegue), já os EITS parecem os mesmos de sempre mas com muito trabalho de estúdio. Enfim, que não pareça que estou a descascar nos EITS, só gostava de vê-los sair da sua zona de conforto.

    As Savages… Bem, imagina a PJ Harvey a tocar com os Joy Division em 2013. Algo por aí, espreita o disco e não te preocupes que será uma questão de tempo (meses?) para voltarem outra vez a Portugal.

  5. Sergio Rodrigues

    Não concordo de todo que o concerto de EITS tenha sido medíocre. Achei-o bem executado e cativador. É de referir que não sou um fã incondicional e nem gosto por aí além do último disco, por isso estou bem à vontade para comentar :-) Se calhar o contexto é que não foi o melhor… talvez num ambiente mais intimista estilo Hard Club a coisa tivesse outro alcance. No entanto achei mesmo um bom concerto. Quanto a MONO, não vejo estagnação, acho que são um banda que consegue muito bem explorar diferentes nuances dum estilo muito próprio, trazendo algo de novo em cada disco, mesmo que as mudanças sejam muito subtis. Quando ouvi pela primeira vez o For My Parents nem gostei muito, mas é um disco que é preciso apreciar, ouvir as subtilezas, desfrutar das orquestrações. Agora, é de audição frequente. Ao vivo, todo o som deles se potencia. A experiência é algo muito mais do que ouvir música. conseguem ligar-se ao público transferindo para nós a emoção daquilo que tocam. É quase uma “out of the body experience”. O concerto no HC foi um dos concertos da minha vida. Espero poder revê-los.

  6. naSum

    Epá eu fui sábado por EITS e não sai de lá nada desiludido. Aliás adorei o concerto. Espero num futuro vê-los numa sala, Quem me desiludiu foi MVB. Como referiste André, não tiveram garra nenhuma. Parecia que estavam a fazer o frete…De qualquer das formas é a minha opinião apenas. Tive imensa pena de não rever Fuck Buttons =/

  7. André

    No caso dos Mono, quando mencionei “estagnação” não era no sentido pejorativo. Pelo contrário, era um elogio pois após os tiques iniciais onde se sentiam as influências de forma bem directa, a banda procurou o seu caminho. Quer se goste ou não, o seu som é hoje em dia bem personalizado, não há outra banda assim.

  8. T. Ramiro

    André: Eu percebo o que queres dizer, mas já que pegas nos GY!BE, vou tentar demonstrar o meu ponto de vista. Eu olho para a evolução deles, e vejo uma banda que pega sempre nos mesmos elementos, criando sempre algo de único de disco para disco, sem excepção. O For My Parents para mim perdeu depois de um Hymn to the Imortal Wind, a fórmula é idêntica, com elementos idênticos, no entanto, as canções soam-me com menos força, mas admito que seja problema meu.
    É verdade que os Explosions não são a banda que mais arrisca, mas se calhar é sinal que encontraram o som deles cedo. Tenho para mim que também têm um cunho muito pessoal, simplesmente o expressam de maneira diferente.
    E por agora fico por aqui, para não despejar aqui um testamento. Fica o debate para um outro dia.

  9. Sergio Rodrigues

    André: eu percebi o teu sentido de “estagnação”, apenas quis reforçar a tua ideia
    Tiago: a meu ver, a fórmula do For My Parents não é a mesma da utilizada no Hymn, mas uma evolução, na mesma direcção que os Mono têm seguido ao longo da carreira, mas percebo o que queres dizer… a falta de força de que falas, não será a falta do poder condutor da bateria, cuja presença está muito mais diluída neste último disco? A mim, inicialmente, fez-me confusão. De resto, até acho que é um disco que está muito melhor produzido do que o anterior, com uma mistura que faz melhor justiça à música deles e que permite apreciar melhor as nuances e dinâmicas que impõem.