ABIGOR: O Chifrudo espreita beyond d’estrelas.

Após um fim de semana inteiro em Barcelos a vomitar hipsters pelos olhos, nada melhor do que recorrer a Abigor para nos purgar os sentidos e nos deixar a alma mais próxima de ser entregue a’O Grande Bode.
Conterrâneos do meu Austríaco de bigode cómico preferido, foram provavelmente a primeira grande banda a dar que falar no black metal sem merdas nem paneleirices extra-Noruega.
Não querendo ficar atrás das bandecas da moda do país que parece uma verruga na pila nórdica, construíram uma discografia considerável com obras que variam substancialmente de registo temático e “musical” entre si. A isso lhes vale a cascata de riffs valentes do PK, a hiperactividade baterística do TT (bateristas, escutainde) e a ex-presença do sempre agonizante Silenius (também em Summoning) – actualmente com um sucessor digno na forma de outro tipo com mais iniciais no nome. Tirando a anedota que é o “Satanized”, temos bastantes discos para o menino e para a menina sem momentos de aborrecimento.
Fica aqui apenas a discografia dos anos 90, como desculpa para post atrasado da última quinta-feira.
Verwüstung / Invoke the Dark Age

Em 1994 os COF deviam já ser os reis para adolescentes vários com a sua temática vampi-gótica recheada de gritinhos estridentes e de teclados ultra-maricas, a caminho de serem os Iron Maiden do metal extremo.
Abigor lançou este hino à Idade das Trevas e toda a sua maldade, com direito a uma sample d’O Sétimo Selo e tudo e nunca foram expulsos do Vaticano por isso. O mundo é, de facto, injusto.
Orkblut – The Retaliation


Se há disco que lamento ainda não possuir na minha humilde colecção, é este EP de 24 minutos. 11 faixas que contam uma estóriazeca pagânica qualquer, é de uma intensidade e de uma atmosfera tal que se chega ao fim e é impossível não deixar cair uma lágrimazinha, ou de sacar uma espada e de ir matar pagões e não pagões.
Nachthymnen (From the Twilight Kingdom)
Este leva uns teclados e uma vozes femininas aqui para o meio, mais uns momentitos acústico-melódicos, mas, ao mesmo tempo, uma boa dose TTestosterónica para nunca correr o risco de haver mariconices aqui pelo meio. A sério, este gajo parte a loiça toda, mais os talheres e os copos.
OPUS IV
Aceleraram o passo, mandaram uns drunfos, e viram os chifres de Satanás para além das estrelas. Mais não é preciso dizer, para além do infeliz som afogado na banheira da segunda parte do disco.
Supreme Immortal Art
Primeiro flop na disco. Isto é, era mesmo preciso um som tão ranhoso? Era preciso encher um disco de teclados pomposos e pretensiosos? As ideias eram giras, mas era melhor deixar a sinfonia para quem a domina mesmo. O Silenius deve-se ter sentido tão envergonhado que saiu logo a seguir.
Channeling the Quintessence of Satan
Arrependidos da mariquice barroca anterior, despiram-se de todos os floreados melódicos e complexidade que foram acrescentando ao longo do tempo e trouxeram-nos esta pérola miásmica do mais puro louvor ao Grande Bode. A capa de Albrech Dürer serve de mote a este momento perfeito em que uma banda decide mostrar tudo aquilo que é da forma mais brutal possível, efectivamente sem merdas nem paneleirices.
O som e a voz poderão ser os elos mais fracos, mas pelos vistos vem aí nova edição remasterizada e tal.

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