Aghora – Formless [2006]

Foram precisos 6 anos para os Aghora nos brindarem com o 2º álbum. O único elemento que sobra da formação original e da formação que gravou o 1º álbum é o seu mentor, Santiago Dobles. Sean Reinert é apenas convidado e dá duas perninhas e dois bracinhos em metade das músicas.
Então e a química que existia no seio da banda ter-se-á desvanecido? Qual química? Isso seria verdadeiramente importante? Os Aghora são o filho de Santiago. As ideias e as composições são do homem.
A secção rítmica já não conta com a colaboração de Sean Malone e com isso o baixo sofre de menor preponderância e não manifesta o mesmo groove marado, ou, visto de outra perspectiva, não é tão extravagante e se calhar até se mescla melhor com os restantes instrumentos. Eu prefiro a versão Sean Malone. A irmã de Santiago tem uma voz bem distinta e esquisita que por vezes aparentava estar deslocada. É difícil de digerir. Diana Serra é mais melódica e versátil e a meu ver enquadra-se melhor com a música. Santiago continua a ser um animal e a fazer de tudo com a guitarra. O homem deve ser um metaleiro dos 4 costados mas tem sensibilidade para tocar qualquer coisa, não se limita ao showoff e nem os solos soam a tecnicismo parolo.
O tema que dá título ao álbum além de ser o mais logo [+12min], é, a meu ver, o melhor, e representa na perfeição toda a ginástica técnica a que os Aghora se propõem. Não há nada de verdadeiramente novo em termos de exploração de diferentes territórios sobre aquilo que foi elaborado no 1º disco, mas também o som já era bem característico e nem encontro outra banda que se passeie pelos mesmos trilhos sonoros. Continuam-se a ouvir e a sentir algumas vibrações orientais quer a nível instrumental quer vocal. Há constantes mudanças rítmicas, breaks meshuggahisticos e declives atmosféricos, diferentes tonalidades nos instrumentos e as partes pesadas parecem-me mais pesadas, mais intensas. Curioso o cameo do mesmo Riff em Atmas Heave e a instrumental Dime [homenagem a Dimebag Darrel?].
Formless não é perfeito, mas contem 70 minutos do melhor metal progressivo (?) que tenho ouvido.

Comentários

Comentar
  1. Pedro

    O Santiago Dobles é grande e apesar das composições serem dele, no primeiro disco estavam ali excelentes músicos como o Sean Malone…. Ainda não ouvi este novo, de qualquer forma o primeiro trabalho é único, e um dos melhores discos de progressivo dos últimos anos….

  2. Crestfall

    Pois, a grande falha é mesmo a não presença do Malone, aquele baixo… :-)

  3. PoisonGodMachine

    Está bom, sim senhor!

    Não desgostava da voz da Danishta mas a Diana Serra tem realmente uma voz (e não só…. muahahaha) mais torneada e quente.

  4. Crestfall

    LOL! Mais torneada e quente? Ainda bem que estás a falar da voz!

  5. ::Andre::

    Há uns tempos perguntei-te quem eram estes gajos. Ainda bem que me respondeste…..agora :P

  6. Crestfall

    :-s num ma lembra disso. Agora já sabes quem são… LOL