Ainda compensa ir ao cinema?

Bilhetes a roçarem os 6 euros; 21 minutos de publicidade depois da hora marcada com três ou quatro trailers pelo meio de alguns segundos cada; intervalo de 7 minutos que não serve para nada a não ser para o tipo de trás que atendeu o telefone durante o filme ir encher o balde de pipocas e mastigá-las de boca aberta; o deslocar a um shopping pois no Porto já não há cinemas*. Enfim, ainda compensa?

Nos dias de hoje os lcd e os sistemas de som nas salas de estar já são uma realidade banal; nos dias de hoje podemos ver um filme acabadinho de sacar, em casa, com ou sem pipocas e com a companhia que desejemos, que ainda nem sequer estreou nas salas de cinema. Não, não é um incentivo ao download, mas sejamos realistas pois é o que acontece. A forma de contribuição fica ao critério de cada um, haja bom senso. Mas já reflectiram o porquê de cada vez menos irmos menos ao cinema?
O asterisco em cima não é por acaso, existe de facto um cinema a sério no Porto (sorte a vossa lisboetas, grande azar para o resto do país) que é o Medeia no Campo Alegre. É uma sala onde os filmes custam 5€ ou 3,50€ e começam a horas, são na generalidade passados em 35mm, a roupa não cheira a McDonald’s quando nos sentamos, as pessoas respeitam-se e apreciam o filme até aos créditos e respectiva banda sonora final (isto num Zon é impossível, mal acaba toda a gente se levanta e entre vestir o casaco e pegar nos sacos das compras já os créditos iniciais se foram)…
Não é de todo um desabafo elitista, bem longe disso, mas esta cultura do Centro Comercial e o monopólio da Zon, com o devido respeito pelo seu mérito, veio prejudicar o Cinema. Podia ir mais longe e ainda contar um ou dois episódios de gente que está por dentro, mas não o vou fazer. Vou apenas terminar estas linhas dizendo-vos que O Discurso do Rei vale pelo Colin Firth, que O Código Base do Duncan-Moon-Jones é um interessante e recomendável filme de ficção-científica, e o regresso de Monte Hellman ao fim de 20 anos é bem lynchiano onde cabe a cada um de nós resolvê-lo. Se o conseguirmos…

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