Alejandro Jodorowsky – o realizador maldito

É um dos grandes cineastas malditos e de culto da história do cinema da segunda metade do século XX – Alejandro Jodorowsky. E bastaria um único filme para atestar esta premissa: “The Holy Mountain” (1973).
Jodorowsky mudou-se nos anos 50 para Paris onde viveu e conheceu os escritores Fernando Arrabal e Roland Topor, com quem fundou o mítico grupo teatral “Movimento Pânico” (fundia humor e terror). É também conhecido como escritor e autor de banda desenhada (ou novelas gráficas).
Há um dado curioso em relação ao filme “The Holy Mountain”: o cineasta chileno foi financiado inteiramente por John Lennon e Yoko Ono para fazer realizar o filme, visto que estes ficaram impressionados com o seu filme anterior, “El Topo” (1970). “The Holy Mountain” é um filme iconoclasta, repleto de misticismo e simbolismo, e situações completamente inusitadas. Provocador face à religião e seus rituais, Jodorowsky subverte e corrompe quaisquer referências religiosas e sexuais com uma linguagem visual irreverente e um sentido de humor absurdo. Conta-se que, para fazer este singular filme, o realizador esteve vários dias sem dormir ao lado de um mestre Zen.
Influenciado pelo imaginário estético mais bizarro de um Fellini e pelo surrealismo de um Luís Buñuel, Alejandro Jodorowsky – que chegou a estudar mímica com Marcel Marceau tornou-se num cineasta de culto reverenciado por nomes como David Lynch, David Cronenberg ou George Romero. Vendo os seus filmes percebe-se porquê.
Ver trailer de “The Holy Mountain”.

Comentários

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  1. Luis

    O "Holy Mountain" é um filme obrigatório (com tantas leituras e camadas) – e goste-se ou não é um que nunca se esquece.

    Visualmente é deslumbrante (tem efeitos visuais fabulosos) e simultaneamente grotesto. E a banda sonora com temas de Don Cherry a conviver com música transcendental cai que nem uma luva.

    E o final…..um dos mais desconcertantes (de forma positiva) de sempre.

    Os restantes filmes já são mais fracos, especialmente o "El Topo". No entanto ainda recomendo o "Fando e Lis", o primeiro filme do Jodorowsky, que apesar de estar muito mais próximo do Bunuel do que os seguintes, tem cenas fabulosas (e também é tematicamente interessante).

  2. Luis

    E ainda ligando o Holy Mountain à música, adivinhem de onde vem a inspiração para cenas dos seguintes vídeos:

    Santogold – L.E.S Artistes

    MGMT – Time to Pretend

  3. Luis

    E agora que vi o trailer deixo uma mensagem – vejam só, se possível a versão restaurada do filme. Tudo ganha uma nova dimensão com o excelente trabalho de correcção de cor e afins (não como neste trailer onde as cenas parecem lívidas e "mortas".

    Podias ter arranjado um trailer com imagens da versão restaurada……

    E aproveito também para dizer que foi uma boa surpresa esta post – faz falta falar-se mais do Jodorowsky, mas acima de tudo do Holy Mountain.

  4. Rodolfo

    o Holy Mountai é excelente e o final, inesquecível mesmo :)