Algiz – Little Black Angel (Death in June)

Esta runa associa-se (graficamente) às hastes do alce e à junça, e evoca uma ideia de protecção.

Clarificando a parte da junça (que a do alce parece-me evidente) diz-nos o poema rúnico anglo-saxónico:

The Elk-sedge usually lives in the fen, growing in the water. It wounds severely, staining with blood any man who makes a grab at it.”

É uma plantinha que pica, vá.

Algumas fontes associam-na igualmente ao deus Heimdall.

Na entrada da Wikipedia sobre este deus – grande Wikipedia! – lemos uma coisa curiosa e que merece destaque:

«Snorri Sturluson’s Prose Edda relates that a kenning for sword is head of Heimdall because Heimdall was struck by a man’s head and that this is treated in the poem Heimdalargaldr, a poem unfortunately lost. Similarly, a kenning for head is sword of Heimdall. The meaning may lie in Heimdall also being called “ram”, the weapon of a ram being its head, including the horns.»

Assim, a runa algiz fica associada a outro animal com cornos mas que nos apresenta uma táctica defensiva bem distinta: a do ataque.

Sabemos que Heimdall era o guardião da ponte Bifrost – que fazia a ligação entre a terra e a terra dos deuses – e a ele lhe cabia tocar a corneta Gjallar de modo a alertar os deuses para o início do Ragnarokr.
Assume um papel declaradamente protector mas igualmente de mediador ao decidir quem pode passar a ponte.

Heimdall o defensor/mediador e igualmente o que matará Loki no Ragnarokr para de seguida ele próprio perecer vítima dos ferimentos da batalha…

Caindo (nova e) voluntariamente na armadilha fácil de atribuir significações às runas pelas suas formas, arrisco que esta figura (antropomórfica) de braços erguidos para o céu invoca esse sentido de comunhão com os deuses e, ao fazê-lo, reforça o sentido de protecção da runa pois, ao partilhar da mesma realidade dos deuses a humanidade fica “protegida”, i.e. transcende a sua própria humanidade e consequentes fragilidades.

Os Death in June (que tanto fizeram para popularizar esta runa) já vinham merecendo uma menção por aqui e hoje vão tê-la através da música Little Black Angel: tem um feeling protector porreiro e por isso parece-me adequada.

Esta música faz parte de um album de Death In June que, não sendo dos meus favoritos, tem umas malhas porreiras, mas que tem o facto curioso de quatro dos seus temas serem na verdade covers ou interpretações de músicas gospel cantadas pelo Jim Jones’ People’s Temple Choir, entre as quais esta que lá se chama Black Baby.

Quem diz Black Baby, diz Brown Baby que é afinal, vejam bem, o nome original desta música que não surgiu nos 90’s nem nos 70’s mas sim dos 60’s, sendo da autoria do Sr. Oscar Brown Jr. (descobri esta porra toda por mere chance, ao andar a cheirar num blog e me ter deparado com mais umas quantas versões da original, retocadas e mal-tratadas pelo proprietário do dito blog… tendo reconhecido a letra e notado que existiam demasiadas similaridades com a dos DIJ, fiz as contas).

Comentários

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  1. Rodolfo

    e se calhar não perdes muito, não sei… eu gosto mas admito que não é nada do outro mundo.