Alma

Catherine Ribeiro + Alpes – Ame Debout [Philips 1971]

Nascida em 1941, Catherine Ribeiro é uma cantora, poeta e performer francesa filha de emigrantes portugueses. Por causa disto, apetece-me até criar um rumor e dizer que a foto que dá origem à capa deste álbum tão único podia muito bem ter sido tirada num piquenique no Gerês. Não foi, foi sim nos Alpes da Alta Provença, região no sul de França de onde Patrice Moullet – marido e elemento da banda – é originário e viria a ter um importante papel não só como líder mas também porque foi ele que encorajou a escrita e musicou os textos de Ribeiro. Estávamos nos setentas, conheceram-se por alturas do “Les Carabinier” de Jean-Luc Goddard onde Catherine faz de Cleopatre e o projecto acaba por ficar ligado à própria região sendo prova disso as fotos nas capas a cada disco que era editado.

A voz em si é uma parte essencial na música e um factor importante para ter um impacto sobre o público, com certeza sobre as emoções, uma força vital num ser humano.

Exacto, inicialmente o destaque vai todo para Catherine, primeiro para a sua vocalidade, a projecção física da sua voz que enche qualquer espaço onde estejamos a ouvi-la. Emana sensualidade, paixão, angústia e êxtase.
A citação em cima é dela e, à medida que me interessava e pesquisava sobre os Alpes, também descobri que declarou prazer em dissolver os seus textos em som, em experimentação vocal quais jogos de onomatopeia, como se procurasse o ritmo a partir dos mesmos.

Muito prolíficos, foram uns sete ou oito discos na década de setenta e todos para a Philips que os agarrou logo no debute, o “No. 2”. Mas, esta obra-prima e o sucessor “Paix” são aqueles discos que passarei a vida a recomendar e sugeri-los como ponto de partida ideal.
É um som difícil de definir com uma etiqueta apenas. A música é psicadélica, bastante experimental e dramática, é folk, é popular e progressiva, é bastante única pelo tom quase teatral de Catherine e pelos próprios instrumentos inventados por Moullet.

Fica a dica enquanto faço play mais uma vez.

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