Amon Tobin @London Electric Ballroom 11/04/2007

Um DJ Set, hummmm, à partida não é um cenário que me motive minimamente, e não sabia o que esperar desta actuação. Mas vindo do Amon Tobin não poderia ser nada de mau, além de que estava prometida a apresentação em 7.1 Surrond Sound.
Quando estávamos do lado de fora à espera que a EB abrisse, ainda nos pudemos rir um bocado à custa da máfia dos bilhetes. Em todos os concertos a que fomos, ela estava presente, mas aqui foi particularmente caricata. 3 marmanjos. Um a controlar, o organizador da coisa, o padrinho, devia ter para aí uns 70 anos! Outro sempre a correr a fila de pessoal que aguardava para comprar bilhete, e onde nós nos encontrávamos, a perguntar “Do you want tickets for the show without queueing?”, e, se eles se mostrassem interessados, levava-os ao gajo que os tinha. Ainda antes das bilheteiras abrirem, quando ainda nem sequer havia fila, nem informação sobre a existência, ou não, de ingressos, tentaram impingir um bilhete a um asiático por 40 libras :-s, deviam querer comê-lo por lorpa. Depois havia pessoal que saía da fila sem saber ao que ia. Um tipo disse que lhes comprava 1 bilhete pelo preço normal – £10 (no próprio dia custavam £12) – e começou a discutir com o padrinho que lhe dizia para voltar para a fila que ele tinha de ganhar o dele, como é que o puto julgava que ele tinha arranjado dinheiro para comprar o maquinão da Xsara Picasso que estava lá estacionado em cima do passeio? E o puto a rir-se, yah, grande carro! O padrinho irritou-se e chamou-lhe wanker. Muito digno :-).
Antes de Amon Tobin, actuou Dextro, um indivíduo que dividiu o tempo entre os sintetizadores e a bateria, com uma sonoridade electrónica down-tempo bem orgânica. Quando chegou a vez de Amon Tobin, a parte de baixo estava a abarrotar de tal modo que passados alguns minutos mudamo-nos para o piso de cima. É verdade que o som estava realmente fantástico, mas também é verdade que nós não somos de dançar… Foram 90 minutos + 20 de encore, de uma variedade assinalável. Ritmos esquizofrénicos, ruídos industriais, batidas hip-hop, ambientes jazz, e drum&bass acelerado. Ele muito rodava com aqueles pratos digitais! Valeu a pena, foi interessante, mas não vou passar a ir ver DJ Sets por causa disto, até porque Amon Tobin há só 1, e o que eu gosto mesmo é dos belos dos discos.

Comentários

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  1. ::Andre::

    LOL, gostei do parágrafo da máfia eheh. Pelos vistos, em Londres isso é emprego para muita gente.

    Quanto ao Tobias, não conheço bem o trabalho dele mas quando é um músico que eu gosto, quero ver seja em que formato ver. Lembro-me que toda a gente adormeceu em Murcof….menos eu :P

  2. Crestfall

    LOL, pois dá, é tanta coisa. Foi mesmo demais, o cota só visto!

  3. Bruno Coelho

    epah, 11/08/2007 ?
    há aí qualquer coisa que está mal..

    Bem, essa cena da máfia está linda :P

  4. Crestfall

    Ups, tens razão Bruno, é 11/04 obviamente, obrigado ;-)

  5. Melancolia

    O mais caricato é o aspecto dos mafiosos, que condiz com o estereotipo… O junkie a correr a fila atrás de uma oportunidade (desdentado, cabelo que não vê champô há meses), o chulo do junkie (tipo com aspecto urbano, “o porreiraço”) e o velhote (meio calvo, roupas à gentleman de média classe, com direito a suspensórios e o catano)… Brilhante como a vida deve ser!

  6. Melancolia

    Confesso não sou particular adepta de ATobin… Nem de concertos tipo Murcof, minimalistas, com o “man e seu lap-top” … Gosto de suor e corpos contorcidos, da ligação (quase humana) entre o músico e o seu instrumento musical. Porém, ATobin surpreendeu-me, tendo o brasileiro imprimido um ritmo alucinante, frenético no Electric Ballroom. A fauna era diversa… Desde os intelectualóides-de-óculos-de-massa-com-pasta-a-tiracolo, aos putos-das-pastilhas, rockers, metaleiros, entre outros. A night to remember!