Amplificasom 2006-2012 por André Forte

© Lais Pereira

Ando aqui às voltas com este texto e concluo: sou o pior parabenizador que conheço. Nunca compreendi a importância dos aniversários, que nem sequer são muito precisos, nem muito racionais. Comemora-se a data do nascimento como se fosse algo enorme, mas esquecemo-nos da concepção. Comemoramos os primeiros gritos, mas nunca damos importância aos primeiros passos, nem às primeiras palavras – o que, no fundo, é não dar os parabéns pelo mais humano que temos.

Ainda assim, acho que todas estas voltas são desnecessárias no que à Amplificasom diz respeito. Parece-me simples e óbvio: o nascimento foi com Enablers, mas os primeiros passos, as primeiras palavras e os primeiros feitos foram todos partilhados; a maioridade, chegada apenas com cinco anos, aconteceu no ano passado e foi um momento de comunhão belo. Dar os parabéns à Amplificasom torna-se, por isso, algo difícil, mas não será, nunca, pela falta de razões. É o excesso de motivos para congratulações que me faz não saber pelo que devo felicitar quem trabalhou nisto durante seis anos. Resta-me agradecer e pedir, por isso, que estes seis anos se repitam seis vezes, e que isso só não chegue, para que todo o risco, todo o sangue e suor deixados nos palcos, a preparar terreno para que as nossas bandas preferidas cá venham, não tenha sido em vão.

Há, claro, o risco de, pelo menos, uma sala 2 do Hard Club totalmente lotada ficar a metade porque os Boris entraram no seu momento J-Pop; há o risco de, mesmo tendo o melhor cartaz de festival que aconteceu este ano no nosso canto (para não dizer em muitos anos), haver quem peça mais do que os maiores Godspeed You! Black Emperor e a companhia que não lhes fica muito atrás (o que, vindo de mim e tendo em conta o quanto adoro o colectivo de Montreal, é dizer muito).

As cabeçadas na parede vão sendo dadas – e, já se sabe, água mole em pedra dura… Eu tenho a sorte de guardar não poucas memórias para apenas seis aniversários, e muitas que não conseguirei partilhar, de tão especiais que são. Os corajosos que deixaram o concerto de Boris a meio nunca saberão da mesma maneira que os que ficaram o que é ouvir a Aileron ao vivo, daquela forma e com aquela intensidade:

Com mais aniversários, talvez tenham a sorte de o vir a saber. Água mole em pedra dura. Parabéns, Amplificasom!

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