Amplificasom 2006-2012 por Daniel Sampaio

Há quem se orgulhe de ter entrado no mundo do rock através dos discos antigos dos pais, mas não posso dizer que tenha tido essa sorte. Antes dos 8 anos, lembro-me de ter ouvido bastante música portuguesa (principalmente Madredeus e Zeca Afonso) e, ocasionalmente, música clássica. Dos 8 aos 13 acho que não tive grande interesse por música, e depois fui apenas mais um dos vários milhões de jovens rendidos à MTV. Falar das minhas bandas favoritas nessa altura seria demasiado embaraçoso, mas percebem a ideia.

Entretanto deparei-me com o maravilhoso mundo da internet de banda larga, e o consumo de música foi aumentando a cada dia. Os fóruns serviam como meio de partilha de bandas, e tive a sorte de formar bons amigos com um gosto musical mais refinado do que o meu, com quem fui aos primeiros concertos da minha vida (de tantas boleias que me ofereceram, é melhor não pensar em quanto lhes devo de gasolina).

Ainda tinha 18 anos quando fui ver Secret Chiefs 3 no Passos Manuel, mais uma vez por recomendação. Do que me lembro, ainda não conhecia mais do que um ou dois álbuns, e fiquei completamente obcecado com a banda durante uns bons meses. Além disso, tive receio de perder outra experiência semelhante, e passei a seguir com frequência o antigo blog da Amplificasom. Foi aí que deixou de ser uma promotora e passou a ser um espaço cultural. Se antes era apenas mais um site a consultar para descobrir concertos no Porto, comecei a prestar cada vez mais atenção aos textos sobre tudo e mais alguma coisa, desde cinema a política, passando por fotografia, literatura e… música. Muita, muita música.

Acredito convictamente no poder da arte como instrumento de formação do indivíduo. Um espectáculo não cria apenas um bem-estar temporário: pode alterar o nosso humor durante horas, dias ou semanas, tornar-nos mais receptivos a novas experiências, mais atentos ao mundo à nossa volta, e mais empáticos para com todos aqueles que nos rodeiam. O facto de simples combinações de sons terem o poder de nos levar às lágrimas é algo de tão misterioso como fantástico, e um concerto intimista pode ser a única ocasião em que não nos importamos de mostrar todas as nossas emoções a dezenas ou centenas de desconhecidos – sabemos que todos eles compreendem a nossa reacção.

O primeiro Amplifest foi grande o suficiente para dar à Amplificasom o reconhecimento mais do que merecido por estes anos de trabalho, e pequeno o suficiente para apreciarmos a um nível bastante pessoal esta experiência partilhada. Este ano, começando um dia após o meu próprio aniversário, só posso esperar que o Amplifest seja novamente uma espécie de festa de anos antecipada da Amplificasom, com o mesmo ambiente que permeou a primeira edição, e com um sentimento de comunidade cada vez mais reforçado. Um aniversário é sempre melhor quando estamos rodeados de amigos.

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