Amplificasom 2006-2012 por Pedro Mendes

A Amplificasom marcou-me uma parte da minha da vida e foi o que me fez inspirar à 3 anos quando iniciei a aventura da Ritual Som. Foi uma experiência de que não me arrependo, apesar de todas as vicissitudes que aconteceram então.

Foi com Orthodox o primeiro concerto que assisti organizados por esses senhores e na altura senti que algo era diferente, com o ambiente proporcionado pela sintonia entre banda/público a funcionar da melhor maneira como nunca tinha sentido num concerto antes. E que belo concerto que foi não acham? Há silêncios e silêncios, da mesma forma que existe música e música, tudo depende do estado de espírito que se tem para sentir ou não, de ser indiferente ou inspirador para os presentes, de tocar ou apenas ser ruído de fundo que entra e sai. E o silêncio que sentia à volta neste concerto contagiou-me tal como senti que contagiou a banda em questão, para darem um dos melhores concertos que vi na minha vida, independentemente do ambiente intimista em questão. Repetiu-se o mesmo com Nadja, Wolves In Throne Room, Earth, tantos concertos que ficaram e marcaram. Essa sintonia era uma sinfonia de silêncios que de alguma forma sentia que as bandas e os músicos se inspiravam quando actuavam. Foi essa sinfonia que procurei e inspirei-me para organizar os meus primeiros concertos e foi com a ajuda da Amplificasom que assim iniciei.

O primeiro concerto que organizei optamos por um cartaz conjunto e com o artwork do Hélder Costa. Foi com A Storm Of Light. Na altura não sabia que nome dar à promotora e optei pelo nome do forum de musica e eventos de Coimbra onde colaborava apesar de nem sequer viver de lá e poucas raízes ter com a cidade. Era um nome mais nada, na altura para mim era uma questão menor, apenas queria que esse sonho antigo se concretizasse, pouco interessado na simbologia em questão. Se consegui que se repetisse, não sei responder, pois estar do outro lado tudo muda, especialmente na primeira vez. Fica ao critério de quem esteve lá. Apenas no 2º concerto que organizei, em Minsk, que senti que concretizei essa sinfonia que falei à pouco. O resto ficou para memória, com Secret Chiefs 3, Caspian, Pg Lost, Process Of Guilt, The Firstborn, Katabatic e Budhi pelo caminho e com a Amplificasom como intermediária na sua maioria, as aventuras e o convívio que aconteceu no backstage e na rua com as bandas, antes e pós concertos, os dias perdidos das folgas do trabalho à procura de sala e a deixar bilhetes nas lojas para vender, as noites perdidas a divulgar o evento e as directas nas vésperas dos dias dos concertos a cortar os bilhetes que faltavam para vender no próprio dia, as mensagens do André a perguntar sempre como estavam a correr as coisas, o blog da Amplificasom a meu cargo durante um mês em forma de convidado enquanto os restantes senhores estavam de férias merecidas (sim ainda me lembro disso e nem sei o que passou pela cabeça deles para confiarem tal tarefa), o “merch” unipessoal tal como o belo prato de plástico em forma de cara, desenhado e transformado pelo próprio Trey Spruance no backstage e entregue a mim com a respectiva assinatura e dos restantes elementos, a folha de papel com várias ilhas imaginárias desenhadas com vinho e poesia do Tony Wyoming dos Minsk (sim o homem por incrível que pareça é um poeta além de excelente baterista), como se dum mapa de piratas se tratasse, entre outras relíquias guardadas na cave sem contar com os filmes de telemóvel, as fotografias, palhetas, posters de tour assinados, entre outras bugigangas e entre tantas peripécias que ficaram como recordação. Faz-me imaginar a quantidade de “recuerdos” que a Amplificasom tem na sua “cave” e que quem sabe, no futuro, poderia fazer uma exposição com elas, fica a sugestão. Infelizmente, terminou da pior maneira com o Prayer Fest, sendo o exemplo perfeito da precipitação de quem era inexperiente para organizar algo daquela envergadura. Diria antes mais que foi irresponsável, sabendo o desgaste mental que sentia na altura e mesmo assim prosseguir com aquilo mas, aconteceu o que tinha que acontecer e foi merecido, ficando apenas na memória ter tentado juntar no mesmo cartaz bandas como Altar Of Plagues, Minsk, Black Sun, Buried Inside, Tombs e A Storm Of Light e ter como fundo inspirador Neurosis, fazendo algo que se assemelhasse ao que mais tarde o Amplifest se tornou.

Se sinto que valeu a pena, com a aventura da Ritual Som, sinto e não me arrependo de nada e foi a Amplificasom que me ajudou a proporcionar isso, onde tentei proporcionar em Lisboa, mesmo não sendo de lá e completamente fora do meio, o ritual inspirador que sentia nos primeiros concertos que vi organizados por eles. Mas acima de tudo foi a aventura iniciada por esses senhores e os primeiros concertos que vi organizados pela Amplificasom que senti que algo mudou neste canto do planeta, ou que pelo menos existia alguma luz no fundo do túnel, não ficar para sempre a olhar para a prateleira dos discos e sonhar como seria ver e sentir ao vivo algumas daquelas bandas que venerava e que me marcaram, ao ponto de mudarem e transformarem-me o que sou hoje no presente.

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