Comprei este livro na Amazon inglesa há uns cinco anos. É uma obra notável que aborda as múltiplas ramificações estéticas e artísticas que a música contemporânea representou nas últimas décadas. Com base na análise e crítica a músicos tão díspares e influentes como John Cage, Brian Eno, Glenn Gould, Ornette Coleman, Fred Frith, Jon Rose, Simon Reynolds, Pauline Oliveros, Paul D. Miller, David Toop, John Zorn, Karlheinz Stockhausen entre muitos outros, o autor discorre sobre a intersecção entre as várias linguagens musicais: minimalismo, música concreta, improvisação, experimentalismo, avant-rock, ambient, electrónica, free-jazz, etc
Uma semana depois de começar a ler “Audio Culture -Readings in Modern Music”, por motivos profissionais, fui buscar à estação de autocarros um músico que iria tocar na Guarda: Chris Cutler, um eminente músico e compositor que foi membro de bandas tão marcantes do panorama avantgarde como Henry Cow, Art Bears, Cassiber, entre muitas dezenas de colaborações musicais com outros músicos/grupos de estéticas comuns.
Ora, quando cheguei à estação de autocarros, já Chris Cutler estava à minha espera. Encontrava-se de pé, encostado a um muro e a ler um livro. À medida que me fui aproximando, reparei no livro que estava a ler: “Audio Culture: Readings in Modern Music”! Foi um bom mote de partida para uma conversa sobre música que teve início no jantar e se estendeu depois do magnífico concerto que deu nessa noite. É que Chris Cutler é um dos compositores referenciados no próprio livro.