Bar-Bari

Os L’Enfance Rouge têm uma forma interessante e original de baptizar os seus trabalhos, consideram-nos como viagens. No passado andaram entre Swinoujsci e Tunis, Taurisano e Cajarc, Réus e Ljubljana, Davos e Leros, Rostock e Namur, Krsko e Valência… 2011 é o ano da oitava viagem entre Bar no Montenegro e Bari em Itália.

Bar-Bari (não é por acaso que não se chama Bari-Bar) é um disco cru e afastado do exotismo do antecessor Tràpani-Halq Al Waady onde o trio deu lugar a um sexteto com músicos tunisinos. Compará-lo faz sentido pois ambos os discos partilham alguns temas embora aqui reinterpretados e numa roupagem obscuramente ocidental. Avant-rock eléctrico, directo e dinâmico onde o som pode e deve agradar ao fã que tanto abraça o noise, o metal extremo ou as típicas desconstruções de uns Sonic Youth.

Não há sorrisos, o álbum é assumido pela banda como uma declaração epidérmica da desumanidade contemporânea. Podres são relembrados (ex: EUA-Nicaragua-Haia), mensagens são transmitidas. Sejam sociais ou históricos, os conceitos são sempre o rastilho perfeito para aquilo que acontece em estúdio e, mais tarde, na selvageria que é um concerto ao vivo.

Bar-Bari é poderoso e refinado, é o reflexo de 18 anos de uma carreira sem fronteiras musicais ou geográficas. É (mais) um cruzamento entre a aceleração e a introversão, entre o cerebralismo e a própria barbaridade suada. Imprevisíveis, é L’Enfance Rouge no seu melhor.

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