Battlestar Galactica

Em dias de pouco futebol por terras de Mandela, reais cromos de caderneta são os que pisaram a meio da semana o palco da caixa ao Cais do Sodré.
Percebo o hiato de anos e mais anos, ninguém joga a este nível por muito tempo!
Mas os Cynic reaparecem disputando a premier league, não a liga cipriota ou cheirando os petro-dólares no Dubai.
Atiram-nos os dribles e petardos de fora-da-área de Focus na íntegra e p’la ordem que o ditaram em ’93.
Atiram-nos as trivelas e passes-de-letra de Traced In Air e um golo de calcanhar de Re-Traced.
Driblam e disparam fintas impossíveis nas cordas, ripas na rapaqueca e o carrego de livres a 30 metros de Roberto Carlos nas peles.
Por vezes, trocam riffs e acordes a meio-campo com a graciosidade de Zinedine, dão-nos tempo para respirar e reorganizar a defesa.
Mas logo sacam nova revienga do cardápio e cruzam na linha de fundo para mais um golaço a deixar-nos de queixo caído.
Bonitas imagens, as projectadas ao fundo. Mas só tenho olhos para o que vai no relvado!
Há gritos e berros irados de Tymon Kruidenier, qual Mourinho guedelhudo!
Paul Masvidal é líder de balneário, une a vilanagem com a voz limpa de um rapaz da paz e num tom que uma infecção na garganta não deixa ser mais forte.
Pede desculpa por tal e depois de uma sprayzada na goela, pede às bancadas os cânticos, quais hinos do clube!
Não há um adepto calado!
Os Cynic são goleada certa.
À antiga!
Galácticos!

(linda foto de Pedro ‘Pânico’ Almeida)

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