Catherine Hennix e o cravo eléctrico

Sueca de nascença mas criada entre Estocolmo e os Estados Unidos, Catherine Christer Hennix é uma reconhecida matemática, filósofa e artista de 63 anos que desde cedo começou a estudar a música de Xenakis ou Stockhausen embora o seu grande turn on tenha sido quando conheceu e aprendeu, durante os anos setenta, com os mestres La Monte Young e Pandit Pran Nath.

“The Electric Harpsichord” é uma peça inquietante tocada apenas uma vez em 1976 (imagem em cima) e foi composta com três Yamaha afinados manualmente e em entonação justa, ou seja, as frequências das notas relacionam-se por razões de números inteiros, e um gerador de ondas senoidais. Vinte e cinco minutos hipnotizantes de relexão espiritual que parecem uma eternidade em movimento, relutantes na percepção se os padrões são repetitivos ou se se transformam a cada audição. Brilhante!

É uma obra-prima do minimalismo. Esquecida. Em alguma gaveta ficou e finalmente em 2010, trinta e cinco anos depois, viu a luz do dia numa edição de 5 polegadas em que inclusive traz ensaios de Glenn Branca e Henry Flynt e dois poemas do já mencionado LMY. Um mimo!

Embora situada entre o drone, a raga e a música erudita, os drones continuam a ser, para mim, uma das experiências audio mais poderosas que a música pode dar. Não me deixam indiferente.

Hennix’s The Electric Harpsichord is a gigantic piece, ma killer, a work which exists outside of style or genre. It is unbelievable. It creates blocks of sound that move min and out of each other to create the effects. It is a pure perfect piece of music that resonates and resounds and creates a universe that it is impossible by other means. In our primitive and unenlightened culture it becomes a work of transcendent power.
Glenn Branca

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