Compram mp3?

Até há pouco menos de um ano eu teria respondido que não e argumentado com “o mp3 não tem valor, prefiro guardar esse dinheiro e esperar para poder comprar o álbum/cassete/LP”. A verdade é que nos últimos meses comecei a ouvir muito mais música através do bandcamp (ou a-melhor-invenção-dos-últimos-tempos) e a wishlist mental de álbuns a comprar directamente às bandas e (pequenas) editoras aumentou exponencialmente – mas não há dinheiro para tudo, principalmente para os portes de envio! Ao fim de alguns meses a repetir o mesmo argumento para mim mesma acabei por me chatear: Afinal, por que é que gosto tanto de estar o mais próximo possível das bandas na altura de comprar discos e merchandise? Sendo o objectivo ter a certeza de estar a ajudar os músicos e a mostrar apreço pela música que gosto, não interessa que esteja a pagar por uma pasta com mp3 em vez do objecto de colecção que tanto valorizo (e gostando muito do álbum acabarei por comprar em formato físico). Como já vi alguém escrever, it’s a win-win situation.
Não estou a deixar de comprar discos, bem pelo contrário, há poucas coisas melhores do que receber encomendas no correio, principalmente destas:

Muitas coisas bonitas vindas recentemente da Suíça, cortesia do Reto Mäder.

…mas é bom saber que quando não há dinheiro extra para torrar nos correios ainda tenho possibilidade de apoiar boa música em vez de ter de esperar semanas ou meses (ou anos).

O último álbum digital que comprei foi o debut dos italianos Rotorvator, I Vivi E I Morti, que saiu no final de Maio pela Crucial Blast. Incorporando black metal/industrial/noise/electrónica, poderia esperar-se uma sonoridade a fazer lembrar Necro Deathmort, mas a abordagem e mistura dos géneros é muito diferente, criando um ambiente distinto: são mais caóticos que os londrinos e os níveis de berraria e demência aproximam-se mais de uns Gnaw Their Tongues ou Mamaleek. Embora já tenha lido críticas que dizem o oposto, considero-o um álbum estranhamente bem disposto – não sei se me deixei influenciar em demasia pelo artwork e o vídeo-single I Morti (que lembra as animações do Terry Gilliam para o Flying Circus, podem conferir em baixo) ou se devia ouvir música mais animada para mudar os meus padrões.

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