Crescer a pulso


Estava aqui a ver o programa “30 minutos” da RTP, e a primeira reportagem era sobre o Rui Nabeiros, esse tycoon do café Delta. Há algo de enternecedor sempre que vemos estas histórias de pessoas que nascem sem nada e criam um império. Balzac disse “atrás de uma grande fortuna há sempre um grande crime”, mas não quero ir por aí. O que me saltou mais à vista neste pequeno documentário foi a de que hoje as grandes empresas em Portugal parecem geridas por sucessão, bem ao jeito das monarquias. Onde estão os casos de empreendorismo verdadeiramente democrático, nesta perspetiva romantico-americana, das últimas duas gerações? Parece que há um sentimento de asfixia no mercado, onde estas grandes empresas acabam sempre por engolir as mais pequenas, e onde todas as teorias (da conspiração ou não) de que o poder está mesmo nas mãos de uns poucos ganham muito mais sentido. Será esta a verdadeira essência do mercado livre? Um mercado autofágico, destinado a engolir-se a si próprio? Ou acham que ainda é possível este crescer a pulso?

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