Cribles: vemos a música ou ouvimos a dança?

”Quando iniciei esta peça, fiz uma aposta poética: observar a dança de roda, uma forma simples do ritual, como uma situação que activa a rememoração de danças bem como a possibilidade de inventar os nossos próprios arquivos. Através desta forma infantil, arcaica, ressurgem festas, rituais sacros, danças nupciais, guerreiras, procissões, pateados, movimentos uníssonos. As histórias de hoje perpassam por estas manifestações. A singularidade surge incessantemente nesta comunidade, o “individual” aparece numa relação dinâmica e dialogal com os outros, tanto como iniciador como conduzido. Esta comunidade sendo indissociável das singularidades que a compõem, é sempre muito mais do que a soma destas.
A união e o apego tornam visível o que se produz em qualquer grupo: as relações de poder, os obstáculos bem como a solidariedade. Por debaixo dos nossos pés, entre os nossos braços, escreve-se história no presente, entre júbilo e medo.

Gostei de descobrir o poder de “Persephassa” de Iannis Xenakis e desejei considerá-lo como um protagonista deste trabalho. Sinto que a sua construção em massas, blocos e pulsações cíclicas encontra nesta dança uma actualização visual e coreográfica. As transformações e disseminações da dança de roda dialogam e chocam
com a arquitectura sonora e espacial. Vemos a música ou ouvimos a dança?”

Emmanuelle Huynh

Comentários

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  1. ::Andre::

    Opinião de um leigo: interessante a coreografia e a sua sincronização com a peça do Xenakis – a principal razão de ter estado lá. Gostei dos silêncios, do som dos pés dos bailarinos nos mesmos silêncios. Do guarda roupa colorido e adequado. Dos passos simplistas. Do cenário também ele simplista. Talvez tivesse sido um pouco longa, talvez. Foi ontem em Serralves.