Cynic – Traced in Air [2008]

Foram precisos 15 anos para voltar a ouvir um novo disco de Cynic, 15 anos! Para começar, nunca pensei que se voltassem a reunir, e muito menos gravar um disco, mas fiquei bastante entusiasmado com essa perspectiva mal começou a circular a informação de que tal iria acontecer. Nem vale a pena referir a importância e o impacto de Focus na altura do seu lançamento, até porque foi um disco que me parece ter-se tornado mais consensual à medida que os anos foram passando, talvez incorporasse demasiadas ideias e fosse demasiado à frente para muita gente. As demos que foram lançando e os trabalhos de Atheist, Nocturnus, ou Pestilence, e a participação do Sean Reinert no Human dos Death poderiam ter servido de preparação para Focus, mas a verdade é que os Cynic incorporaram naquele disco uma enorme variedade de influências e um experimentalismo invulgar que resultou numa sonoridade singular. E 15 anos depois temos um disco que ao fim de alguns segundos é inequivocamente identificável como sendo Cynic e que acaba até por ser uma sequência lógica de Focus. Temos as estruturas jazzisticas e as mudanças rítmicas características, alternando entre partes mais duras e mais suaves, com as respectivas acentuações e efeitos vocais (nomeadamente o robótico).
Não encontrei aqui uma música com o impacto directo de uma Veil of Maya ou Uroboric forms, nem fiquei assombrado da mesma forma que com o Focus, mas este disco é bom, é muito bom, talvez até mais coeso e ambiental do que o Focus, os tempos é que são outros. Que continuem por muitos anos!

Comentários

Comentar
  1. jorge silva

    o “focus” foi uma obra-prima que teve o condão de mudar a face do metal que se fazia mas estava demasiado avançado para a compreensão geral na época. apenas alguns conseguiram compreender aquilo naquela altura e o apreciaram devidamente.
    o engraçado foi ver, com o passar dos anos, os antigos críticos a andarem atrás do cd quando este já estava esgotado e se tinha tornado uma raridade.
    também andei a ouvir este “traced in air” esta semana e concordo contigo: vê-se logo que é cynic. achei-o no geral talvez um pouco mais acessível do que o “focus” na medida em que as partes death-metal estão menos intensas, mas despertou-me a vontade de voltar a pegar no “focus” para o ouvir de novo.
    na terrorizer deste mês referem-se ao “focus” da seguinte maneira: “não é incomum para um álbum mudar a face do metal, mas quando esse álbum foi o teu único álbum então isso torna-o invulgarmente especial”, e consideraram este “traced in air” o álbum do mês.

  2. jorge silva

    é a que tem satyricon na capa!
    a que tem o dani e o outro atrofiado dos gorgoroth é já considerada a edição de janeiro, a que eu me refiro é a de dezembro.

  3. Crestfall

    Ahh, num bi essa de Dezembro, estive com a de janeiro na mão mas não fiquei convencido a comprá-la.

  4. Adriano

    Quando saiu o Focus a coisa era tão diferente e apelativa ao saturado meio death metal daqueles anos que ficou-me com um dos Cd’s que mais ouvi naquele ano/fase, e que levei a airplay em 94 quando fui convidado no número do saudoso programa da Rádio Energia – Metal Radical com Gustavo Vidal (shameless useless promotion). Levei o Veil of Maya como uma das 5 sugestões musicais (com Holy Terror que me merece ainda amis admiração nos tempos que correm por serem verdadeiramente únicos e frescos).

    Se nestes últimos anos 15 anos (… :S)sempre voltei ao tema Uroboric Forms frequentemente, a voz digitalizada sempre foi o elemento que me pareceu ser menos fresco e que curiosamente foi quase erradicado deste novo trabalho. Foi também o album que me empurrou para a onda mais jazz/experimental que o metal não é propriamente o estilo que melhor pega nesta vertente diga-se.

    Se bem que ainda não lhe dediquei mt tempo de antena (existe tanta coisa boa para digerir) decerto vou lá voltar a seu tempo. Apanhei este album ao mesmo tempo que o dos Intronaut (que sempre chamei de filhos de cynic :) e o Intronaut rodou bem mais.

    Existe uma versão do Focus remisturada de 2004 que merece um download :)

  5. Crestfall

    Xii, o metal radical! Bem que gostava desse programa, fartei-me de ganhar coisas xD. Foste lá convidado? Quem és tu Adriano? Eu gosto das vocalizações robotizadas… Essa versão do Focus parece que tem os temas dos Portal, não é?

  6. Adriano

    Pois, já vi que eras concorrência :)

    Eu à custa do Metal Radical e Lança Chamas tava sempre agarrado ao telefone. A coisa tomou tal proporção que o Gustavo Vidal me convidou como convidado especial da última edição do programa. Na altura era eu Adriano Esteves de Soure heheeh e um gajo da amadora que já não me recordo do nome que papavamos as coisas todas. Na altura dessa última edição eu não tinha qualquer ligação ao mundo musical sendo apenas um estudante de engenharia ouvinte assíduo de tudo o que passava na rádio. Foi também o último registo do Gustavo Vidal na Rádio que se afastou definitivamente.

    Curiosamente o pessoal gozou comigo quando eu disse que o som de Cynic era mais futurista que Fear Factory, pois a banda já tinha acabado :)

    Curiosamente também, no ano seguinte conheci os moonspell cá em Coimbra e desde esse ano que sou webmaster da mesma e actualmente tenho uma empresa de design onde vou fazendo algumas coisas para bandas não sendo no entanto o meu core de negócio. Se quiserem ver a versão actual da página (saiu há um mês mas ainda não foi totalmente divulgada) visitem: http://infernet.moonspell.com

    A versão de 2004 do focus tem temas remisturados de Veil of Maya, I’m but a wave e Houw Could I e mais 3 temas dos Portal que na altura lembro-me serem meia desilusão.

    Recomendo que experimentem o Álbum dos Swallow The Ocean (2008) – Swallow The Ocean que é uma malha para os fans de Rosetta :)

    Adriano