David S. Ware: o retorno

Se 2009 foi marcado pelo retorno do mestre David S. Ware aos palcos, 2010 registra sua volta às listas de lançamentos. A novidade é um álbum solo, Saturnian.

Às vezes me surpreende o fato de David S. Ware ser tão pouco conhecido. Digo “tão pouco” porque um músico de sua envergadura deveria ser infinitamente mais falado, ouvido e amado. O free jazz de Mr. Ware é assombroso, de uma riqueza e inventividade encantatórias. Seus temas, repetitivos e sedutores (basta uma espiada nas clássicas “Aquarian Sound”, “Godspelized” e “Rhythm Dao”), são arquitetados em meio a agressivos rompantes ruidosos. Ouvir Ware é sempre uma experiência extrema e única.
Como os títulos de seus discos e músicas denunciam, Ware encara, como o último John Coltrane, seu trabalho musical como um desdobramento de sua espiritualidade.

David S. Ware fez um transplante de rim em maio do ano passado. Seu retorno aos palcos ocorreu em outubro de 2009, no ‘Abrons Arts Center’ (NYC). E agora podemos vê-lo nesse disco que traz, exatamente, a gravação do show que marcou sua volta. Antes desse Saturnian, o saxofonista havia gravado apenas um disco solo, “Live in the Netherlands”, captado em 1997. “Saturnian”, editado pelo selo AUM Fidelity, traz 3 longas faixas, nas quais Ware se reveza entre o tenor (seu principal instrumento), o “saxello” e o “stritch”.

“There’s a voice inside each saxophone, expressing different orders of Being. When you listen, learn to open your third ear. Listen for the voice inside the music. It will expand who you think you are”, escreveu Ware nas ‘liner notes’ desse novo álbum. Como o subtítulo do disco é “Volume I”, podemos esperar por desdobramentos desse rebento.

Ware, aos 60 anos e após essa delicada cirurgia, mostra que se mantém em elevada forma e pronto para ofertar momentos sonoros especiais a quem estiver disposto a ouvi-lo. Quem ainda não conhece o trabalho do saxofonista, dê uma passada no Free Form, Free Jazz que há, por lá, um pouco de sua música para ser degustada.

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  1. ::Andre::

    Vou espreitar o Free Form, não conheço o Ware e nem o próprio nome me é familiar… De qq maneira, o texto convenceu-me a conhecer a sua música.