De Buenos Aires ao Líbano

É possível viajar na tela, por vezes sabe quase tão bem como se lá estivéssemos.
Revi o Tetro, belo exercício cinematográfico do mestre Coppola, e arrisco a dizer que já conheço um pouco de Buenos Aires. A Argentina é uma daquelas viagens de sonho que está na wishlist, este Tetro acalma-me a ansiedade de lá ir. O único defeito (que não é defeito nenhum) é que é a preto e branco. Se por um lado, a sua belíssima fotografia dá um ar vintage e cativador, por outro perde a essência colorida daquilo que é La Boca, o bairro argentino onde se desenrola a maior parte do filme.
Nota: a argentina Georgina Hassan, curiosamente de BA, começa hoje uma tour nacional.

Da América do Sul ao sul do Líbano é um “saltinho” e o filme homónimo do israelita Samuel Maoz consegue ser distinto no meio de tantos. Neste caso, a viagem é dentro dum tanque em plena guerra do Líbano (aquando a invasão israelita de ’82 que tencionava – e conseguiu – cessar os ataques da Organização para a Libertação da Palestina). Distinto pela sua perspectiva original, todo o filme se desenrola dentro do Rion – o tanque – pois mesmo admitindo que conseguiu deixar a habitual e explícita visão política de lado, o argumento não deixa de ser um pouco tendencioso para o lado dos judeus.
Há dias, um amigo comentava que ia à Cinemateca rever o The Thin Red Line. É um bom filme que se destaca no meio de centenas do género, mas se fosse hoje recomendava-lhe este. Foi com Líbano que pela primeira vez senti o que deve ser a guerra. Talvez o que tenha visto até hoje tenha sido demasiado polido, filmes que passam uma imagem de entretenimento e de espectáculo quando na verdade o sentimento devia ser de repulsa. Com Líbano, argumentos e história à parte, sentimos na pele a claustrofobia do momento e a desorientação dos soldados, saboreamos o amargo sabor da guerra, mas ao mesmo tempo sabemos que estamos a assistir a uma peça de arte. Resta dizer que Beirute também está na wishlist.
Nota: E filmes como o Hurt Locker ganham Óscares…