Disco Forte da semana: Ariettes Oubliées…

Já conhecia Les Discrets, mas sempre me dei ao luxo de dizer que já não tinha paciência para este tipo de rock. Ora, não é que eu estivesse enganado – raramente as minhas brilhantes opiniões descem para o degrau “boas”; comummente vão mostrar como é que se formam no nível de “geniais” –, contudo, a minha humildade ficou abalada durante o concerto que deram na semana passada, no Hard Club do Porto.

No concerto ficou provado que as opiniões relativamente aos franceses e à sua banda irmã, Alcest, podiam ser invertidas com toda a facilidade: a banda de Neige é sempre associada ao black metal, nem que seja para a definir como algo totalmente diferente do género e, aos Les Discrets, sobra uma categoria de shoegaze com post-qualquer poisa. Temperos que pouca diferença fazem nos livros de fine dining, mas cujos sabores, na altura de chamar o palato ao barulho, nos mostram o quão pouca atenção se dá ao todo que fazem os detalhes. A banda de Fursy Teyssier subiu a parada nas apostas de peso deste ano e, pode-se dizer, suplantou os Alcest num género que é mais deles do que dos noruegueses.

Ariettes Oubliées… mostra que os Les Discrets são muito mais versáteis do que era de esperar inicialmente, mas, mais importante ainda, são do peso, são negros e apresentam uma densidade de quem faz música difícil de digerir. Lá está, uma questão de temperos que as melodias bonitas e a língua francesa não permitem experimentar ao primeiro toque de língua. Só depois de uma pratada é que se percebe a pândega que ali vai.

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