Disco Forte da semana: In a Glass House

Porque nem só do que é novo se faz um bom melómano, nem eu passo sem escrever, periodicamente, sobre os Gentle Giant, cá vou eu cair na minha tradição de impingir a melhor banda de prog-rock de sempre. Claro que estas coisas resultam sempre de um tropeção. O que, desta vez, me levou novamente aos gigantescos Giant foi o anúncio de uma sequela para o Thick as a Brick dos Jethro Tull – se não fosse Derek Schuman, vocalista dos alvos deste texto, Ian Anderson nem ponderaria tal empreendimento. Não é só em convencer génios cabeçudos que Schuman é bom. Então, quando se juntavam com o seu irmão, Ray, e com os restantes Gentle Giant, havia pouco que não fosse feito.

Sim, porque dizia-se que não era possível, sequer, que apenas cinco pessoas tocassem tantos instrumentos diferentes e que os britânicos eram apenas uma banda de estúdio. Certo é que, quando saíam da sala de gravações e saltavam para o palco, os autores de In a Glass House tocavam mais de 30 brinquedos diferentes por concerto e não era por um qualquer prazer onanista de arte circense: era assim que compunham e podem crer que faz todo o sentido.

In a Glass House foi, nos últimos dias, o meu disco forte. E, acima de tudo, deixou-me com pouca esperança no que aos fãs de Sabbath: não é que os Gentle Giant foram vaiados durante toda a digressão que fizeram pelos EUA com a Ozzie e Iommi? Ok, se calhar perdi a esperança nos EUA, outra vez. Pode custar, mas há que admitir que In a Glass House tem alguns dos melhores riffs da história do rock e, atrevo-me, conseguem envergonhar o Iommi em alguns momentos, no que a pôr a guitarra a cantar diz respeito – de resto, são campeonatos diferentes e não é raro dar por mim a pensar no que é que eles estavam a fazer nessa digressão. Desde os momentos folk de inspirações celta, típicos do prog britânico, ao rock com um cheiro de blues sem esquecer o (proto-)peso à la Sabbath de que todos gostamos, há de tudo nos discos dos britânicos e este não é prova de outra coisa que não isso. Só tenho pena que eles não tocassem com amplificadores da Orange. Ouçam vocês mesmos:

Comentários

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  1. Andre Forte

    De forma cíclica, lá acabo por dar por mim a ouvir Gentle Giant ou o Lamb Lies Down on Broadway, dos Genesis. :)

  2. J Veiga

    uma pessoa olha para 71 e nem sabe por onde pegar :) Como o André disse, o Lamb Lies down também é outro grande grande…

  3. Andre Forte

    Ao nível conceptual, o Lamb Lies é, para mim, o máior. Mas isso podem ser influências exteriores. A verdade é que o Peter Gabriel, para mim, nunca se portou mal em contexto algum.