Disco Forte da semana: La Grande

Muitas voltas dei eu para encontrar um álbum para esta semana. Dividido entre a vontade voltar ao BM e a sede de destacar um novo disco de Kayo Dot, dei por mim a cair, acidental e alfabeticamente, no novo disco da norte-americana Laura Gibson. Se, por ventura, nem todos conseguimos ouvir black metal todos os dias e se, como a mim, a produção rudimentar de um disco tão denso como o novo Gamma Knife se revela um verdadeiro frigorífico de entusiasmos, a cantautora de Portland também não se chega à frente com um disco genial. É verdade e é triste, mas nem todas as semanas são recheadas de discos incríveis – esta terá uma banda sonora francamente razoável.

Claro que pode soar a exagero, visto que La Grande, na sua simplicidade, é forjado com as matérias-primas básicas para um bom disco de folk – a bela voz de Gibson ao som da sua guitarra despida de qualquer processamento, a percussão assertiva e descomplicada e uns pozinhos de pormenores vários para completar a escultura. Mas não é um dos discos que nos façam saltar da cadeira e gritar de entusiasmo pelo turbilhão de coisas que nos passam pela cabeça enquanto os ouvimos.

Contudo, e posso descansar-vos nesse aspecto, se precisarem de descansar a cabeça ao som de uma voz doce e quente, para se embalarem na calma de Fevereiro, enquanto o carnaval tarda, a senhora Gibson é uma opção indicada. Aliás, mentiria se dissesse que a música Skin, Warming Skin não é de uma beleza de embevecer o metaleiro mais duro deste planeta. Todas as barbas precisam de amaciador de vez em quando.

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