Do top para o blog: discos que não passaram por estas linhas

Eleh – Location Momentum [Touch 2010]
Quem é Eleh? Ninguém sabe. Não tem um nome próprio, uma face, uma morada ou um telefone. Quem quer que esteja por detrás deste projecto quer, sem dúvida e por mais que ao mesmo tempo aumente a curiosidade à volta do mesmo, que as pessoas se concentrem apenas na sua música. Em Location Momentum, o seu disco mais refinado, a viagem continua arquitectada e conceptualizada a drones em camadas adicionadas suavemente, com mudanças harmónicas e melódicas subtis em diferentes frequências através de um sintetizador analógico. Belo exemplo é o primeiro tema – Heleneleh – que apesar de à primeira audição parecer austero é muito cativante e meditativo, chega a transmitir uma estranha sensação de paz. Não sei se é o meu preferido dele(a), mas… Sim, é!
Não o ouçam a conduzir, trabalhar, etc etc. Sigam a sugestão do artwork e deixem-se estar no meio dos lençóis… sozinhos.
Helena Gough – Mikroklimata [Entr’acte 2010]
Tal como um escultor, a música da inglesa Helena Gough é o reflexo do longo processo de recolha e manipulação de material, amassando-o, rasgando-o, colando-o… e sabendo parar no momento certo. O resultado deslumbra, mesmo! Não se trata de música ambiente e da sua homogenia cada vez mais aborrecida, mas sim de algo cheio de vida, que nos agarra, envolve e estimula. Helena sabe onde colocar cada textura e retirar dela o máximo partido balanceando ao mesmo tempo o lado cinemático. Electroacústica moderna de topo, um clássico assim que o tempo o permita. A minha dúvida agora é saber se ela considera o seu trabalho acusmático ou não, é que estou mesmo curioso para ver como será ao vivo.
Oneohtrix Point Never – Returnal [Mego 2010]
Se bem que por vezes o que escrevo é terapêutico no sentido de até a mim me ajudar a compreender o que ouço, não escondo que fico satisfeito se após estas linhas forem googlar ou até comprar determinado disco. Não estou aqui para convencer ninguém, partilhar é o objectivo, mas se aqui vêm e se já chegaram a esta linha então é porque estão suficientemente abertos a propostas, sejam novas ou velhas. E isto tudo para dizer o quê? Que nada me dá mais gozo do que discutir, partilhar e receber propostas musicais de pessoal com mente aberta e cada vez tenho menos paciência para aquele que só ouve x ou y. E pronto, é esta a minha crítica ao “Returnal” do Daniel Lopatin pois não me acredito que quase um ano depois alguém ainda não o tenha ouvido um dos melhores discos dos últimos tempos.
Rene Hell – Porcelain Opera [Type 2010]
Mesmo que alguém não conheça o trabalho de Jeff Witscher nos seus diferentes pseudónimos, olha-se para o artwork deste belíssimo disco e, perdoem-me senhoras o sexismo, queremos saber de que se trata. Uma jovem senhora agarrada a uma estátua de Jesus Cristo com a bela da zona compreendida entre o quadril e o joelho à mostra? As meias cor-de-rosa a dar-lhe um ar lascivo, as pernas cruzadas, a mão no nosso senhor… A capa reflecte os temas do álbum e o seu desejo consciente de chocar e amar. Esteve em todos os tops, Jeff tem aqui O álbum da sua carreira – os temas, a produção, tudo – numa perfeita exploração analógica. Mas, aquilo que se esqueceu foi de dedicar este disco a todos os sedutores, principalmente aos introvertidos. Ouçam-no, quando sentirem as suas unhas nas costas já nunca mais o largarão.

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