Everything’s Bigger in Texas VIII – I have a dream

É mesmo bom sentir que vivo no epicentro de uma onda cultural e musical que nunca vi em mais lado nenhum. Austin, TX, é, sem dúvida, um espaço que permite a disseminação das artes, quer pelas infra-estruturas oficias como pelos canais mais underground, mas que, acima de tudo, se afirma como propício à criação de vontades, à associação de criatividades, e à dinamização de actividades. Para onde quer que olhe, há alguma coisa a acontecer, sempre, sempre – desde os concertos nas estações do metro (que invariavelmente me lembram as iniciativas semelhantes na minha cidade do Porto) ao Festival dos molhos picantes, que é agora no Domingo (e onde espero encontrar garrafas gigantes de Sriracha).

Passo a vida a tentar manter-me a par do que se vai passar hoje, amanhã, mais para o fim da semana, que é quando o trabalho abranda… mas é impossível. Os sites que agregam este tipo de actividades estão constantemente a fervilhar e a ser actualizados (como este ou este), e é virtualmente impossível sentir que não nos está a escapar nada… eventualmente estará.

Ter um horário das 9 às 6, todos os dias, e um ritmo de vida que me faz acordar às 6 da manhã, o que me obriga a lutar com todas as minhas forças para me deitar cedo – ainda que muitas vezes traga “trabalho de casa”… -, também não ajuda muito à concentração nos aspectos mais lúdicos da Vida, e acabei no outro dia por perder uma instalação áudio visual, baseada num filme mudo, mas musicado em tempo real pelo Alexander Hacke (Einstürzende Neubauten), Danielle de Picciotto, e o Algis Kizys (Swans, Foetus, etc…), chamada Glasshouse, e que aconteceu nem a 10 minutos de bicicleta de minha casa… Por isso tenho-me tentado manter mais atento, e hoje foi dia de ficar contente e comprar dois bilhetes:

Um para o concerto de Akron/Family, dia 6 de Setembro no Red 7; e outro, este muito celebrado, para ir ver Godspeed You! Black Emperor, dia 10 de Outubro, no The Mohawk… algo que nunca pensei que teria a oportunidade de ver. Para além destas duas confirmações, mais uma surpresa agradável: dia 13 de Outubro, no mesmo Mohawk, tocam os Mono. De graça. Mas, mesmo que o concerto de Serralves com a Amplificasom me tenha deixado com uma vontade imensa de os ver de novo, se calhar desta vez vou ter que passar… porque já tenho bilhete comprado para o ACL – o festival de verão cá do sítio, o Austin City Limits – para nesse dia não falhar o Jack White (porque continuo a achar que o Blunderbuss é dos melhores álbuns que 2012 nos trouxe…). A isto tudo soma-se dose dupla de Swans, a 14 e 15 de Setembro, em Austin e Houston, respectivamente, e já se compõe mais ou menos um calendário que me vai fazer muito feliz. Melhor, melhor, só mesmo ter muito dinheiro e comprar uma passagem para Portugal e passar umas noites na baixa da minha cidade para viver a experiência do Amplifest… acreditem, apesar de aqui estar bem servido… Tenho mesmo inveja da malta que vai aproveitar a segunda edição do festival!

Entretanto o trabalho aperta, aperta, aperta mesmo muito. No estúdio temos a deadline de submissão de longas e curtas-metragens para o festival Sundance no fim do próximo mês, então andamos a correr e a receber telefonemas de realizadores e produtores que querem garantir que temos tempo para eles… Esperei muito tempo por esta altura, e agora, que chegou, sinto que vou passar semanas sem dormir devido ao volume de trabalho, mas, ao mesmo tempo, sinto que estou a entrar na “Sala do Tempo” do Dragon Ball (desculpem a referência aparentemente descabida, mas quem é que não tem referências ao Dragon Ball na sua vida?), em que um dia na Terra era igual a um ano de treino e experiência…

Por isso estou-me a preparar. Continuo a viver no centro do Mundo, onde o Verão nunca acaba, onde há imensa coisa a acontecer, principalmente música, mas continuo com este sentimento estranho – de ter demasiado o que fazer, pouca sorte, e saudades de casa a mais.

Mas que não pareça que me estou a queixar. Aqui, vai-se “mordendo a bala” (bite the bullet) sabendo-se muito bem ao que se veio, e tentando descortinar para onde é que se pode ir, mas é tudo por causa de um sonho

(Síntese granular com base num sample bem conhecido, programação em Max/MSP, geração random de pequenos soundbites, “corta e coze” feito à mão em Pro Tools. Assignment para a escola, em 2010.)

Até para a semana, e continuem a inspirar-me para ter sonhos, como o de voltar a casa em breve!

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