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Não foi difícil chegar ao Deep in Ocean Sunk the Lamp of Light. Estávamos em 2006 e os projectos dos membros Stephen O’Malley (Sunn O))), KTL..), Daniel O’Sullivan (Guapo) e Vincent de Roguin (Shora) eram dos meus preferidos na altura. Continuam a ser. Entre essa estreia hipnótica e promissora e a confirmação, este ano com En Form for Blå, de uma das bandas mais excitantes da actualidade, tivemos pelo meio dois discos muito interessantes: a peça de arte abstrata Betimes Black Cloudmasses em 2008 e Faking Gold and Murder com David Tibet o qual adquiri num concerto em que os dois percussionistas Alexandre Babel e Nicolas Field, também eles parte do alinhamento deste álbum de 2009, deram num estranho final de tarde na Casa Viva no Porto.

Os Æthenor são hoje em 2011 um dos projectos que mais gozo me dá acompanhar. Vincent de Roguin deu lugar ao histórico e free-jazziano Steve Noble, Kristoffer Rygg dos Ulver a certo ponto passou a fazer parte do alinhamento, o próprio O’Sullivan que já não está nos Guapo é hoje presença fundamental nos já mencionados noruegueses e encontra-se envolvido noutros projectos deliciosos como Miracle com Steve Moore dos Zombi ou Mothlite na sua versão mais pop…

É com esta formação que En Form for Blå, editado mais uma vez via a extraordinária VHF e um dos álbuns que mais esperei pela luz do dia (ler download e não esquecer o deluxe double LP), é, sem dúvida, a melhor viagem das quatro. Mais do que a soma de todas as partes, documenta a evolução profunda e contínua deste colectivo que se por um lado julgar-se-ia improvável, por outro é a sua colisão/ união que o coloca na prateleira de discos únicos.
Cativante mas anti-climax, meditativo mas não sedativo, atmosférico e altamente rico e aventureiro em paisagens de sons em transição, o grupo exibe uma maturidade proveniente de sub-géneros “antiéticos” onde a união desafia e quebra barreiras. São 55 minutos de música subtil e singular onde o vocabulário aqui utilizado, por muito que se tente apontar referências, só eles o dominam.

Hoje, naquele que já é o melhor festival do Verão, o quarteto subirá ao palco Milhões (demasiado cedo se o desabafo me é permitido) para um concerto que se vai amar ou odiar. Depois de um par de tentativas falhadas em vê-los lá fora, a expectativa está demasiado alta e o que quer que aconteça às 20:15 do dia 22 de Julho de 2011 prometo que não vou partilhar com ninguém.

Comentário

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  1. Pickles

    Carecia de mais noite, para o que é, mas não deixou de ser hipnótico.