fadoom?!

Já por várias vezes me questionei porque não temos a “cena” Doom mais interessante do planeta – convenhamos temos matéria prima de categoria para isso. Somos um povo deprimido, sempre com a confiança em baixo. Somos um país europeu periférico com características terceiro-mundistas. Enfrentamos uma crise social e económica profunda que acreditamos tão cedo não irá melhorar.
Será que o que nos inspiraria não faz mais que tolher-nos e nos deixa incapaz de reagir? É verdade, somos um povo apático, mas será que ninguém consegue abrir brechas na muralha da apatia e fazer algo?
Vejamos, fomos capazes de criar o Fado. Um género musical onde se desfiam rosários de traição, morte e desespero. Um género musical que de deprimente tem quanto baste, e ainda ninguém se lembrou de pegar nas suas escalas, transpô-las para uma afinação mais grave, e criar o Doom mais funéreo à face da Terra.
Não somos um povo criativo, é certo, mas diz-se que somos um país de poetas. Muitos desses poetas, aliás, eram tão deprimidos que se suicidaram, mas parece que as suas obras apenas conseguem inspirar os Trovante e afins.
Somos o povinho perdido entre a glorificação de um passado que nunca soubemos aproveitar e a mentalidade subserviente de esperarmos que nos mostrem o caminho. Sim, acredito nisto, quando a coisa pegar moda “lá fora” acorreremos em bandos para fazer o mesmo. Continuaremos sempre a glorificar a Vieira da Silva depois de ela ser francesa, a Paula Rego depois de ela ser inglesa, a rejubilar com o Nobel do Saramago refugiado em Espanha, alinharemos sempre ao lado daqueles que vilipendiaram o Soares dos Reis e o levaram ao suicídio. Em suma, seremos sempre incapazes de reconhecer o potencial que jaz adormecido. Preferimos, neste meu exemplo, reciclar My Dying Bride, Katatonia, e insiram quem mais quiserem aqui, a procurar uma voz única. A conseguir criar algo a partir das nossas raízes sem trazer agarrado o cheiro a mofo de glórias que já não significam nada.
Nisto, como em tantas outras coisas, temos tanto ao nosso alcance mas preferimos não ser nada…

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