Fui a Londres e vi Fever Ray

Esta semana a tarefa está deverás facilitada. Pouco tenho a dizer de Londres que vocês não saibam. Londres, é para mim, claramente, A Cidade. Não encontro na Europa outra cidade tão expressiva, movimentada e tão culturalmente acessível. Se há cidade a que acorreria para viver, sem pestanejar, seria, certamente Londres. Que se lixe o tempo manhoso e deprimente, a oferta e o tipo de eventos a que se poderia assistir sobrepõem facilmente a ausência de sol.

Não raras vezes quando me pedem conselhos sobre Londres me falam acerca do London Eye ou do Madame Tussauds. Nunca fui nem sinto qualquer vontade em ir. Cada um segue os seus interesses, mas no meu entender Londres tem tanto para oferecer que é uma perca de tempo e dinheiro, este tipo de actividades. Também nunca entrei na maior parte dos monumentos conhecidos, prefiro manter a imagem imaculada deste tipo de locais, através da parte exterior. Não poucas vezes, a decepção é enorme aquando da entrada. Londres é no meu entender, uma cidade para se andar, andar e andar, e ir parando num pub para beber umas pints e seguir para outro destino qualquer. Se há cidade da qual, constantemente, tenho saudades, Londres é sem dúvida essa cidade.

Londres é de longe a cidade em que já estive mais vezes, quase sempre com o intuito de ver algum concerto. Um dos mais marcantes a que assisti foi, sem dúvida, o de Fever Ray no The Royal Festival Hall, um espaço que mais parecia destinado a eventos de música clássica, ópera e afins. Tudo aquilo que envolve Karin Dreijen, sejam os The Knife ou Fever Ray são projectos que, para mim, fazem parte do expoente máximo de todas as concepções musicais. Tem sido responsável por algumas das introduções minimalistas mais operacionais e revolucionárias que tenho memória.

Fever Ray ao vivo, é um misto de arte teatral e musical. Não muitas vezes o palco nem sequer estava visível, fruto dos lazers que são projectados em todas as direcções, mas o som, suprimiu qualquer falha de visualização e apreensão do conceito cénico.

O que me sugerem de Londres numa próxima visita?

Comentários

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  1. Emanuel Pereira

    Grande texto, concordo com tudo aquilo que foi dito sobre Londres. Cidade ímpar. Estive lá uma vez e assisti a um espectáculo de stand-up comedy do Doug Stanhope, em Hammersmith, na Apollo. Sala mítica.

    Não vi qualquer concerto, mas, só a título de exemplo, no dia em que aterrei actuavam os Killing Joke. E no meu dia de regresso, actuavam os Kyuss. Outro nível.