Fui a Lucca e vi os Arcade Fire

Antes de saber que os Arcade Fire iriam dar um concerto em Lucca, não fazia a menor ideia em que parte de Itália ficava a cidade. Lucca fica a cerca de 300 km de Milão e, como tal, a tarefa seria apanhar um avião baratucho da Easyjet, dormir no aeroporto, na manhã seguinte apanhar um comboio para Lucca, ver a cidade o quanto possível, ver o concerto, dormir e apanhar de volta o comboio para Milão para, posteriormente, regressar a Lisboa. O grande problema é que o sistema de comboios italiano é miserável em termos de pontualidade e cancelamentos. Por isso, primeiro que chegasse a Lucca tive que passar por supressões e cancelamentos de comboios, alterar o trajecto e finalmente chegar a Lucca. Mas…valeu a pena.

Terminada a odisseia, constata-se que Lucca é, mais uma cidade italiana de constante pontapé na história. A cada passada tem-se a noção que se trata, à sua dimensão, de um pequeno museu a céu aberto. É incrível como quase todas as cidades italianas têm esta característica intrínseca.

Lucca é uma pequena cidade e, na verdade, ao final de poucas horas, através de deambulações por praças, igrejas, torres e ruas de pedra, já se palmilhou tudo o que se pode ver. No entanto, sente-se que constitui um tipo de local que não custaria ficar muito tempo e passar constantemente nos mesmos cenários. Não é dessa forma que temos contacto com pormenores anteriormente não notados?

Situada na zona da Toscana, Lucca é cidade incrivelmente serena, calma, mas que aparenta ter, através destes predicados uma forma de vida bastante curiosa e assente num estado de agradável pacatez. Se fosse escritor, Lucca seria certamente o tipo de cidade que utilizaria para retiro profissional, como uma espécie de musa inspiradora.

O concerto dos Arcade Fire realizou-se numa praça incrível, rodeada de pequenas casas, ou seja, num cenário natural. Imagine-se um concerto na Praça Camões do Chiado. Apesar de actualmente lograrem de notoriedade incrível, continuo a achar as suas músicas verdadeiras peças de arte. Como sempre, deram um concerto impressionante e continuam a manter aquela postura de total comunhão com quem pagou para os ver. Um acto pouco usual neste tipo de bandas.

Se a estátua de Puccini, que se encontrava a curta distância da praça, pudesse ganhar vida, tenho a sensação que o compositor iria gostar de testemunhar um concerto de uma das bandas mais influentes da actualidade.

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