Gang Gang Dance


(aqui vai mini-comentário com 2 meses de atraso)

Após um concerto quase desastroso dos Gang Gang Dance há uns cinco anos em Famalicão ficou a dúvida no ar sobre se as suas músicas resultariam num formato ao vivo. Para responder a esta questão desloquei-me a Morgantown, West Virgina (!), para os ver numa das quatro datas de uma mini-tour pela costa este dos EUA.

Bastaram as duas primeiras músicas para tirar as dúvidas: o poder do som era esmagador e banda em palco movia-se freneticamente para criar uma barreira de percussão, electrónica e excentricidade. Comece por dizer-se que dos álbuns editados houve apenas “House Jam” do “Saint Dymphna” tendo o restante tempo sido preenchido por ou novas composições ou improvisos alargados. Em várias músicas parecia ficar a sensação que os GGD estavam a testar novas composições já que apesar de haver espaço para deambulações e hesitações tudo o resto parecia estar bem programado. Tal era a almagama de som que é difícil relembrar e avaliar tudo o que se ouviu: mas ficou a sensação de que se estas eram de facto novas músicas seguirão a mesma linha dos dois álbuns anteriores, sem grandes surpresas. Notou-se contudo uma presença crescente e dominante da secção rítmica deixando, claro, sempre algum espaço para as restantes texturas de electrónica, voz e guitarra. Com o passar do concerto os segmentos maioritariamente percussivos (com a vocalista Liz Bougatsos a ajudar à confusão) pareciam estender-se infinitamente aproximando-se progressivamente de certos segmentos mais descaradamente dançáveis como aqueles que se encontram por exemplo em “Retina Reddim”


A noite terminou com um encore em jeito de rave noise-retro-futurista gerando a invasão de palco por alguns membros do público que não se inibiram em pegar no que havia à mão para tocar percussão juntamente com a banda. Foram quase duas horas em palco e já passava das 2:30 da matina (hora impensável para o standard americano). Estava convencido – e esgotado.

(Tinha também outro texto terminado sobre o concerto de Joanna Newsom, em Washington DC, de há dois meses atrás, mas decidi não o postar. Fica contudo este link que agora descobri para um stream gratuito da gravação desse mesmo concerto: http://www.npr.org/templates/story/story.php?storyId=124711752)

Comentários

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  1. ::Andre::

    Tenho saudades tuas e dos concertos da Esquilo, mas também é bom ter-te desse lado.