Genghis Tron – Death Mountain Mouth

E a propósito de novidades musicais, aqui está um disco que não sendo [muito] novo, tem um novo som.
A introdução à euforia cinética que resulta da aceleração/brecagem do turbilhão musical minuciosamente composto e decomposto pelos 3 nerds que coordenam a máquina GT pode ser difícil de assimilar pois não lembra [a] ninguém. O EP de estreia, Cloak of Love, já era bem interessante. No entanto, os diferentes elementos não estavam tão sofisticadamente mesclados como agora. A colagem das batidas electrónicas sobre a agressividade grind soava mais forçada.
Para compreender a habilidade deste Electro/Grind imagine-se a conjugação da energia de DEP, a insanidade sónica de Converge [Kurt Ballou produziu o disco], a velocidade de Brutal Truth, com as batidas cirúrgicas de Autechre e as ambiências de Boards of Canada. Ah, e também temos o momento Meshuggah em Greek Beds, a samplagem industrial em White Walls [A faixa mais electronicamente pesada?] e alguns samples ao estilo Nintendo a fazer lembrar Horse the Band.
As inconstâncias rítmicas e as várias texturas electrónicas aplicadas resultam caoticamente conexas quer nas suas aplicações mais complexas quer na simplicidade dos momentos mais belos e calmos e nunca soam despropositadas. Se bem que deve haver muito boa gente que pensa o contrário. O tema que dá título ao disco funciona em espiral e é um bom exemplo disso, começa rápido e caótico com o típico blast beat grindcore abrandando para uma toada completamente electrónica e acelerando até ao infinito embrulhado em várias camadas numa melodia de guitarra extremamente catchy.
Um álbum que não é imediato e que pode causar ataques de caspa em alguns ouvidos mal preparados.

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