Gone.

Terminaram, em grande, presenteando-nos com uma trilogia sublime que nos deixou assim, desalentados…
Diz-nos Aaron Weaver na Terrorizer de Setembro: “while we were writing and recording it, we were very consciously treating this as our last album (…) when we were tracking the guitars for the last song, we knew it was the last riff we’d ever record for WITTR”.
Com uma firmeza inabalável anunciam-nos, simplesmente, o fim, enquanto engolimos em seco este sentimento de ausência que nos consome, entre vislumbres da beleza que nos estaria reservada.
Assim, sem retorno.

Quanto mais não admiramos um grupo, sobretudo deste calibre, que decide acabar voluntariamente, sem se degradar de álbum para álbum e/ou recorrer a alterações de line-up para tentar retornar um momento único, tantas e tantas vezes que chegam a um ponto em que já não os conseguimos ouvir, por perderem sempre quando comparados com aquilo que foram e já não conseguem ser mais?
Quantos exemplos destes existem?
Poucos, mas meritórios (e muito embora as razões sejam discutíveis)…
Alguns dos que agora me lembro (sem os querer equiparar):

Burning Witch:

Sleep:

Holy Terror:

At The Drive-in:

Dos outros, que se arrastam por aí até à putrefacção (e muito embora possam ter, ocasionalmente, algum interesse), nem vale a pena falar…
Embora toda esta questão seja relativa, é indubitável que existem grupos que são sempre bons (embora nós possamos gostar mais de algum(ns) álbum(ns) do que de outros), mas, confessemos, há poucas bandas assim…
Suponho que haja uma qualquer data-limite a partir da qual uma banda deixa de nos deslumbrar, embora não saiba bem qual é (e nem a própria banda o sabe, a maior parte das vezes).
Lembro-me de grupos de maior (e até menor) longevidade (que não referirei, para não ferir susceptibilidades) que começam, cedo ou tarde, a mostrar sinais de recorrerem a fórmulas, repetindo-as ad nauseam…
Sobretudo, a razão de ser deste post é afirmar a minha admiração pela dignidade de grupos como os que aqui referi, que para mim serão sempre, sempre bons.

Comentários

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  1. António M. Silva

    bolas, fiquei triste.

    o último álbum é realmente especial. e concordo com quase tudo o que disseste, embora ache que a sua qualidade tenha cambaleado no álbum anterior. anyway, they rule.

  2. vera viana

    obrigada, Susana, vou procurar por Yoga.
    e espero que esse dia não tarde…

    António, tb acho que o Celestial Lineage não é o melhor da trilogia (o meu preferido é o Black Cascade, btw), embora vista como um todo seja muitíssimo especial.
    e concordo: they absolutely rule.

    ty, cá já não voltam, infelizmente, porque terminarão quando concluírem esta tour: http://www.wittr.com/shows/index.

    :-(

  3. Saturnia

    Ficamos à espera da confirmação (espero que não).
    Há bandas que já deviam ter acabado há muito tempo. Encaro o "fim" de uma banda como algo que não tem de ser necessariamente mau e por vezes é o melhor a fazer. São ciclos. E deixam para sempre a sua marca.

    (André faço de tuas minhas palavras)

  4. vera viana

    sinceramente, ainda não percebi a questão – alguém duvida da credibilidade da Terrorizer?
    e em (http://alternativematter.net/interviews/interview-with-wolves-in-the-throne-room):
    "(…)it was very clear when we were tracking the last guitar on the last song of the album that this was the last thing we were ever going to do as Wolves in the Throne Room. This is totally the end, and I very much had that in mind in those guitar parts. We’ll continue to do music and we definitely plan on making another record, but it’s the end of a cycle that we’ve been working on for the past eight or nine years. We started this band almost nine years ago. It’s definitely time to move on to something else—change the music, change the things we focus on in our lives."

    No caso dos WITTR só podemos sentir pena, mas são eles próprios a decidi-lo (e afirmá-lo).
    Aguardemos por projectos futuros, creio que dificilmente nos deixarão ficar mal.