Hoje, estou com a cabeça em Paredes de Coura

Eu e a pop sempre tivemos uma má relação. Ela é uma miúda fácil, filha de pais endinheirados, eu sou um tipo humilde (mas prefiro que sejam os outros a apontar-me esta grande qualidade) e de gostos simples. Claro, nesta argumentação encontra-se logo uma falha: ela é fácil, eu gosto de coisas simples, devia haver uma química aqui brutal. Mas não há.

Não que eu tenha o melhor gosto do mundo – na minha humilde opinião, até tenho, porque senão andava a ouvir coisas de que não gostava – mas porque tenho a memória de um peixe. Com a música, a minha exigência é também simples, mas grande: quero lembrar-me do que ouço. A pop é rica em parir filhos de que ninguém se vai lembrar. E o próprio Miguel Esteves Cardoso diz que essa é a maior característica da pop, o facto de ser algo que faz pop-up na nossa atenção, que nós ouvimos, e depois avançamos.
Paredes de Coura, este ano, tem uma imensidão de nomes que não me dizem nada. Eu não me lembro de nenhuma música dos Pulp (mas estou convencido de já ter ouvido alguma), não estou assim tão entusiasmado com o regresso dos Death From Above 1979, e já tapei o meu buraco, no que a Mogwai diz respeito – de resto, a única banda com um papel importante na história recente da música no cartaz do festival.
Mas, apesar de tudo, tenho um buraquinho no peito chamado Warpaint. Estas miúdas fazem música deliciosa, cheia de efeitos e frita como tudo, são umas fofas como exige a música popular e ainda gostam de inventar e fazer jams. São a minha paixão pela música avulsa temperada com azeite. Virgem extra de comprar numa garrafeira de vinho caro. E insistem em ficar-me na memória (acreditem que não é fixe andar na rua a cantar “You could be my King” ao mesmo tempo que se tenta ostentar uma barba relativamente máscula para mostrar às miúdas que mando cenário). Se as conheci em concerto, e adorei, gostava imenso de repetir a experiência. Valha-me o YouTube:

Comentários

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  1. João Veiga

    confere :) felizmente ainda não tapei o buraco em relação a Mogwai ;)

    O concerto das Warpaint foi mesmo muito fixe. Dá gosto ver novas bandas assim :D

  2. André Forte

    as Warpaint são, oficialmente, a melhor coisa que a pop pariu nos últimos anos. :)