Intronaut – Prehistoricisms [2008]

Faz amanhã precisamente um ano que os Intronaut passaram pelo palco do Porto-Rio, e todos os presentes puderam constatar a destreza técnica dos seus elementos, particularmente os da secção rítmica.
A aplicação benéfica da técnica em prol da qualidade das composições será sempre uma questão relativa, tanto quanto os gostos e percepções do ouvinte. Com Prehistoricisms, os Intronaut fornecem-nos um conjunto de ardilosos temas que formam o todo mais desconcertante que eles arquitectaram até ao momento. Aquele onde se tornam verdadeiros aventureiros do progressivo. Não é que já não o fossem em Void, e nem digo que gosto mais deste álbum, até porque é um trabalho de assimilação mais difícil, mas há aqui algo que os torna mais únicos do que anteriormente. Há vastas extensões de deliciosas linhas de baixo de inclinação jazzística, a espaços ambientais, que por vezes também soa ao motor de um carro a carburar; as guitarras continuam a derivar entre os riffs pesadões e secções texturadas (Australopithecus contem belos exemplos) prosseguindo por trilhos mais intrincados do que as estruturas tradicionais do metal, e os ritmos quebrados da bateria desorganizam o andamento dos temas. Continuam a fracturar e experimentar, deambulando por ambientes caóticos que oscilam entre a brutalidade e a serenidade sem repetir fórmulas. Eles avisaram que viria aí “…what could possibly be the first ever fusion of traditional indian music and heavy metal.”. Não me parece que a coisa seja bem assim, mas o último tema, The Reptilian Brain, alonga-se por uns míseros 16 minutos encetados por umas vibrações tribais que se vão transformando e desaparecendo. E depois, tudo isto soa coerente. Gosto do meu metal assim.

P.S: Agora estão na Century Media, estranho? Talvez não.

Comentários

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  1. Vincent Moon

    tenho que admitir que nao gostei muito deste álbum, estava à espera de melhor, principalmente depois de todo o “sururu” à volta da banda. Também pode ser de mim, nao sei…

  2. ::Andre::

    Gostei mais do concerto do que qualquer disco deles, mas também gostei do que acabei de ler. É por tua causa que o vou ouvir. Até já.

  3. Crestfall

    Se calhar é mesmo por não ser um disco fácil… Deixem-no crescer.

  4. Sasugaya

    eh pah, eu achei isto fenomenal desde a 1ª vez, xD. Nasceu logo grande

  5. Tiago Esteves

    Por acaso nas primeiras audições n me cativou…vou tentando :D

  6. Adriano

    é um grande album, mais difícil que os anteriores, mas solidifica com o tempo :)

    Algumas recomendações para ouvirem:

    Lights at Sea – Lights at sea (para os fans de Jakob e intrumental pós-rocky em geral :) Mt bom mesmo!

    Venetian Snares – breakcore/modern classical
    Não sei se se perdem por aqui mas este album é épico, dark, e massivo. Do mais headbaging em breakcore que encontrei recentemente.

    Ver vídeo em: http://www.youtube.com/watch?v=vg52OSGmg7g&eurl=http://blog.burocratik.com/

    Adriano Esteves.

  7. Crestfall

    Oh adriano, eu gosto de Venetian mas a que disco te referes? O homem tem uma tonelada deles.
    Lights at Sea tenho aqui para ouvir.

  8. Adriano

    hey,

    comçei a conhecer o venetian através do Rossz Csillag Alatt Született, mas tou a ver se conheço a discografia dele. Este gajo tem pancada!!!! :P

  9. Crestfall

    O Rossz é capaz de ser o melhor, aquela mistura entre clássica e breakcore…