“Irá caber-lhes a honra – sim, a honra – de estrear a edição de 2012 do Amplifest com um concerto único no Passos Manuel, que inclusive já esgotou.”

Maria Louceiro @ Amplifest 2011

Uma semana, uma semana para o início do Amplifest. Depositamos tanto de nós, a todos os níveis, que já só queremos que passe rapidamente para o desfrutarmos, dentro dos possíveis, com todos vocês.

Vamos ter companhia vinda da Holanda, França, Alemanha, Suécia, Finlândia, Suiça, Itália, Espanha, Brasil… Vai ser um fim-de-semana especial, sem dúvida que sim.

Uma semana, dizia, uma semana para o pré-Amplifest no Passos Manuel. A banda não podia ser a mais indicada, os Barn Owl são definitivamente um projecto especial. O Bodyspace esteve à conversa com Evan Caminiti e podem ler a entrevista no link a seguir a esta resposta genial:

Nos últimos tempos temos assistido a um crescimento na música inspirada pelo psicadelismo ou assumidamente psicadélica, sejam coisas mais mainstream como os Tame Impala ou do underground como vocês. Considerando a afinidade do género com questões espirituais, diriam que tem havido uma “crise espiritual” que tem levado as pessoas a criar e ouvir mais música do género?

Custa-me a crer que a maioria das pessoas sinta alguma realização espiritual com música psicadélica. Não conheço Tame Impala, mas acho impossível que a música mais mainstream seja honestamente “espiritual”. Especialmente quando existe tanta gente que se limita aos downloads ilegais, dos mp3 que encontram em blogues. Há um desligar tão grande do esforço que é colocado na música, do processo de composição, produção, manufactura, deste ecossistema complexo. Não há responsabilidades. Parece produzir um efeito alienador, retirando a alma vital da música, transformando-a numa comodidade. Acho que as pessoas que vão a concertos e compram discos têm uma hipótese muito maior de retirar algo de espiritual da música. O acto de desembrulhar um disco, olhar para o artwork, sentar-se e rodar o vinil… tudo isso contém um elemento ritualista que me parece ter um significado maior, e é assim que prefiro absorver a música que ouço. Sacar ficheiros da Internet é geralmente desprovido de alma e, no final, perdem todos com isso. Ou isso, ou faz da música apenas entretenimento, da mesma forma que alguém ligaria a televisão para ver um programa manhoso, ao invés de cativar a mente. Acho que ouvir música ao vivo é a melhor maneira de nos sentirmos movidos por ela de uma forma transcendental, espiritual. As ragas, o jazz e o minimalismo mostraram-me, definitivamente, uma nova espécie de espiritualidade pessoal.

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