Japamania

Japão. País de estranhos fetiches sexuais, filmes incompreensivelmente violentos e com uma estranha obsessão por karaoke. Será seguro afirmar que a cultura contemporânea japonesa tem muito mais para oferecer do que esta estranha amálgama de conceitos desviantes, mas a extravagante natureza destes fenómenos nacionais constituem prova suficiente da distância cultural entre nós, civilizados e ponderados ocidentais e os ditos “mas-que-raio-é-que-eles-estavam-a-pensar-quando-inventaram-esta-merda” japoneses. OOra tendo desenvolvido ao longo dos anos uma apetência por música excêntrica, o Japão, correspondendo às minhas melhores (piores?) expectativas, assume um lugar de destaque neste respeito. Segue uma despretensiosa e flagrante amostra de alguns dos meus projectos nipónicos favoritos.

Começamos pelos violentos e catárticos Corrupted. Uma abordagem minimalista e agressiva, tanto na componente musical como estética,. Continuam com a mesma atitude DIY que tinham na génese do grupo em 1995.


Corrupted – Rato Triste

Falando em DIY, os G.I.S.M. são um nome incontornável no HC japonês. Vocais insanos e bizarros, solos de guitarra que podiam estar numa qualquer música de glam rock dos 80, letras desprovidas de qualquer sentido, tudo embrulhado numa batida punk e com um som bem porcalhão como manda a praxe.


G.I.S.M. – Endless Blockades For The Pussyfotter

Passando a lides menos barulhentas, fica aqui um projecto do nosso já conhecido Michio Kurihara, os psicadélicos The Stars. Juro que esta música tem a linha de baixo mais cool de sempre.


The Stars – Subway (Night Walker)

Os esquizofrénicos Melt Banana. Já deve ser chapa gasta para muitos de vós, mas eu não resisto a deixar aqui um tema deles. Noise Rock em ácidos.


Melt Banana – Lost Parts Stinging Me So Cold

Imaginem o John Zorn a tocar com os Boredoms, tendo como suporte uma Jazz Big Band. É assim que eu visualizo os Natsumen, como um híbrido musical que reúne os melhores elementos de free-jazz, noise rock e avantgarde, cheio de melodia à mistura.
Trata-se duma gravação dum concerto ao vivo, com a atitude mais in-your-face possível, que nos transporta para um ambiente de festa e comemoração. Este álbum em particular (Never Wear OUt Your Summer) é alegria condensada, convenientemente embalada em 56 minutos.


Natsumen – Whole Lotta Summer

Para acabar deixo dois vídeos. O primeiro pertence ao duo feminino já extinto Afrirampo, que tocam um Rock musculado mas cheio de alegria com um monte de influências africanas à mistura. Uma vez mais, a psicadelia e o experimentalismo abunda.

Finalmente, Shibusashirazu Orchestra. Palavras não chegam para descrever este momento.

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