Jesu – Conqueror

As edições de Justin Broadrick seguem a um bom ritmo. Tendo dado por terminada a carreira de Godflesh em 2002, pegou no título na última faixa do último disco [Hymns] e deu início a um novo projecto assim denominado. Podia ser apenas mais um para juntar aos vários que, com mais ou menos actividade, lhe consumem tempo. E o mais um não deve ser entendido como termo prejurativo!Mas, a par do escape individual Final, Jesu é mesmo o colectivo mais importante na actualidade de Broadrick. Com esta encarnação temos vindo a ser presenteados com um EP num ano e um álbum no seguinte.
Silver chegou ao mercado por alturas da primavera do ano passado e veio demonstrar que eles eram capazes de evoluir dentro do seu próprio som e recriar as suas próprias fórmulas. Os 4 temas que compõem o EP, incutidos do espírito primaveril, vinham polvilhados com andamentos mais up-tempo e eram melodicamente mais suaves e refrescantes, mais esperançosos, mas também nunca perderam o rasto à densidade.
Confesso que não fiquei impressionado quando Conqueror rodou pela primeira vez, pareceu-me um bocado monótono, mas isso deveu-se certamente ao facto de não lhe estar a prestar a devida atenção. Agora estou completamente viciado e só posso dizer que este disco é mais! Mais up-tempo e mais melódico mas também mais Doom e mais melancólico, mantendo o drone, os efeitos, os arranjos shoegaze e a distorção. Propaga um balanceamento perfeito entre densidade e delicadeza. A excepção à regra da quantidade é no sentimento de opressão. Até a capa monocromática de cariz industrial tem bastante luminosidade.
O 1º tema, que dá o título ao álbum, segue no trilho de Silver, carregadinho com ingredientes melódicos. Os sintetizadores afastam as paisagens urbanas invocando o mar e o “cantar” das gaivotas [3:56] num ambiente complacente. Logo de seguida Old Year abranda o ritmo, seguindo compassadamente sobre várias camadas de distorção não propriamente pesadas mas densas. Mantendo a mesma cadencia mas arrastando uns riffs mais imponentes e pesadões temos Weightless & Horizontal, construído sobre uma estrutura ritualista e hipnótica que perdura por 10 minutos e é antecedido por Transfigure, o tema mais “acessível”. Brighteyes e Stanlow são as mais melancólicas. A voz e os sintetizadores desempenham um papel fundamental. Brighteyes não oprime como Friends are Evil no 1º álbum, mas deixa-nos rendidos. E Stanlow é uma forma luminosa de fechar o disco.
JB bebe da fonte da criatividade ilimitada e não é preciso ter fé em Jesu para acreditar na qualidade deste álbum.
Edição Europeia a 19 de Fevereiro pela HydraHead.


Comentários

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  1. ::Andre::

    Excelente texto, não podia estar mais de acordo contigo. À primeira audição não fiquei rendido como no primeiro álbum, ainda acho que está um pouco abaixo, mas é Jesu e eu tenho fé.
    A ouvir com phones este fim de semana…

    oo/

    ps: conheço muito pouco de Godflesh, aliás, desconhecia que “Jesu” é um nome de uma canção.

  2. Crestfall

    Os phones ainda te dão cabo dos tímpanos!

    Podes tentar conhecer melhor o trabalho de Godflesh, eu deixo ;-)

  3. ::Andre::

    Tenho o “Streetcleaner” mas com uma qualidade muito duvidosa. Vou já tratar disso…

  4. naSum

    Mais um texto de se lhe tirar o chapéu. a continuares assim ainda vais parar a uma revista bro. lol. quanto ao album gostei e nada mais a acrescentar :)

  5. Loud!

    Eles tem toda a razão Crestfall. Entraremos em contacto consigo brevemente para nos mandar umas criticas e quem sabe poder entrar para a nossa redacção visto as suas criticas serem muito boas. continue com o bom trabalho.

    Comprimentos Loud!

  6. Crestfall

    LOL.
    Oh Sr. loud! Desculpe lá, mas o âmbito da sua revista é muito restrito, eu gosto de escrever sobre a cultura da batateira e do feijão verde. Sobre os ciclos de migração das aves de rapina e sobre coisa e tal.

  7. Melancolia

    Refuto! Até pq não és adepto nem de batatas nem de feijão verde, e quanto a aves, com sorte distingues um melro dum papagaio :) Mas quanto a escrever sobre música, SIM you´re the MAN :)

    keep on :D

  8. ::Andre::

    com sorte distingues um melro dum papagaio
    LOLOL

    Crestméne oo/

  9. Pedro

    A minha opinião vale o que vale mas esse texto está de facto muito bom Crest! Godflesh, Final, Jesu etc etc… o Justin Broadrick tem provocado várias revoluções ao longo dos anos e para mim tem sido um prazer acompanhar o trabalho dele… :p