“Mas, depois de uma actuação destas, só se pedia mesmo um minuto de silêncio pela memória dos nervos que se foram. E que bem que eles foram. Se pudesse, repetia amanhã.”

Gentry Densley no Porto-Rio pelas lentes do Jorge Silva

Terminou assim o texto do Ponto Alternativo depois de “uma noite de verdadeira demolição”. A verdade é que, três anos depois, podemos ver os Eagle Twin já AMANHÃ.
A info que importa:
Sala: Armazém do Chá, Porto (Rua José Falcão, 180)
Portas: 21h30
Phase: 22h00
Eagle Twin: 22h45
Bilhetes: 10€ à porta ou ainda à venda na AMPLISTORE, através do e-mail orders@loversandlollypops.net, e nas lojas Jojo’s/ Cdgo.com, Louie Louie, Piranha e Matéria Prima.

Relembremo-nos da tal noite de 2012:

De riff em riff, os britânicos prepararam bem a cama para os Eagle Twin se deleitarem na sua área: a do doom de pelo na venta. Gentry Densley e Tyler Smith começaram por se olhar nos olhos e, provavelmente, rezar pelo público, movidos pela pena de saberem em antecipação o concerto destruidor que tinham preparado. Se os Pombagira eram professores, os Eagle Twin mostraram-se verdadeiros mestres.

O vocalista e guitarrista, na falta de instrumentos esotéricos à la OM, começou por entoar de forma muito oriental e gutural as primeiras palavras da viagem de uma hora em que o Porto-Rio embarcou, enquanto que o baterista, por sua vez, iniciou de forma peculiar a vigorosa e longa agressão ao seu instrumento com um estridente “riscar o prato com a ponta da baqueta.”

Toda a actuação dos Eagle Twin, ininterrupta, foi dotada de uma agressividade valente, para dizer a verdade, com os gritos de Densley a cravarem-se entre os seusriffs super-graves e a bateria imponente de Smith, quer quando atirados para o microfone ou quando atirados para os pick-ups da guitarra, que os distorciam dolorosamente.

A primeira música desde logo ditou o ritmo a que o concerto ia decorrer: de forma inconstante. Tanto podíamos estar a ouvir um verdadeiro sludge demolidor e acelerado, como éramos levados para momentos em que a música se resumia a um acorde de guitarra por compasso de uma bateria cheiíssima, como até para, neste último caso, um solo entre acordes graves, sempre com a resistência da psique da audiência a ser testada ao extremo.

Não raramente, o vocalista orientava muito a sua voz para os momentos em que a bateria se ausentava – e que o baterista preenchia a mexer e a ajeitar nervosamente os pratos e a afinar os timbalões –, algo que foi compensado na última música com um quase-solo de percussão a introduzir o último capítulo desta jornada do Douro, sempre ao sabor da violência com que cada estocada de Smith era proferida. Aliás, isto levou mesmo à queda de uma parte da bateria do estrado.

As únicas palavras dos Eagle Twin chegaram mesmo no fim da actuação, para agradecer. Mas, depois de uma actuação destas, só se pedia mesmo um minuto de silêncio pela memória dos nervos que se foram. E que bem que eles foram. Se pudesse, repetia amanhã.

in Ponto Alternativo

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