No espaço não há bacalhau…


É um facto de todos conhecido que no espaço não há bacalhau. E a quem é que isso interessa? Aparentemente a ninguém… enganam-se.

Corria o ano de 1981 e enquanto o pessoal saia da ressaca do PREC e já se preparava para dar novamente as boas vindas ao FMI, juntaram-se duas forças da natureza para lançar um dos discos mais irreais da história da música Portuguesa. A popular cançonetista Amália Rodrigues e Carlos Paião (o mais famoso dos músicos Portugueses que, reza a lenda, foram enterrados vivos). Até o vinil era amarelo.

Pela voz de Amália Rodrigues e pela pena de Carlos Paião transparecia a tensão latente na sociedade da altura e as ansias de toda uma geração do pós 25 de Abril. Como reagir em caso de invasão intergaláctica?

Numa certa manhã quando a Dona Amália saia de casa repara que um “gradessissimo” OVNI estava estacionado no seu quintal. E com o que se preocupa a senhora? Que o ser do outro mundo lhe sujasse a roupa que estava no estendal e que as vizinhas a vissem ali com um estranho em casa.

Conversa puxa conversa o Sr Extraterrestre mostra fotografias da família e a certa altura Amália pergunta aquilo que preocupava todos os Portugueses da época. Se na terra de onde vinha, não conhecia lá alguém que lhe arranjasse bacalhau?

Esta sim, era a verdadeira questão do início da década de 80. Onde encontrar bacalhau… Famílias inteiras deslocavam-se aos fins de semana em romarias infindáveis a Tui, Badajoz e Ciudad Rodrigo na busca do fiel amigo. Eu, que não sou apreciador de bacalhau nem de fado, ficava contente com uns caramelos e uma garrafa de gasosa La Pitusa.

Sei que isto hoje em dia não interessa a ninguém. Mas para todos aqueles que sempre quiseram saber ao que soaria uma possível colaboração entre Frank Black e Amália Rodrigues, isto foi o mais próximo que alguma vez se pode ter alcançado.

Cumprimentos,
::Cardoso::

PS: Aconselho-vos a ouvir o disco… Se já gostavam do “Caracois” então vão delirar com o “Sr. Extraterrestre”

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