No Words/ No Thoughts – Indian, Neil Halstead, Have a Nice Life, Gonçalo M. Tavares


Indian – From All Purity (2014, Relapse)
Neste novo disco da banda de Chicago, o sludge em forma de violência bruta que apresentavam no anterior Guiltless foi objecto de alguma depuração e expansão; sem deixar de lado a amálgama biliosa de riffs, a sonoridade dos Indian acresceu-se de variedade – os elementos noise estão agora bem mais vincados, por exemplo – e de tensão, piscando até o olho a uns Khanate em alguns momentos de From All Purity.
Ouvir: Indian – Directional


Neil Halstead – Palindrome Hunches (2012, Brushfire)
A histeria à boca pequena que se fez sentir nos últimos dias com os prenúncios de uma provável e iminente reunião dos Slowdive – nome lendário e de menção obrigatória quando a conversa se debruça sobre o movimento shoegaze ou sobre os inícios do pós-rock – recordou-me não apenas a obra da banda mas também este mais recente disco da carreira a solo do frontman Neil Halstead. Movendo-se num território bem distinto dos Slowdive e muito mais próximo dos também por si fundados Mojave 3, Neil Halstead tem nos seus discos, e particularmente em Palindrome Hunches, uma obra notável de uma folk soturna e despojada, sobre a qual o fantasma de Nick Drake paira bem perto.
Ouvir: Neil Halstead – Full Moon Rising


Have a Nice Life – Deathconsciousness (2008, Enemies List)
Também por estes dias saiu The Unnatural World, o novo disco dos norte-americanos Have a Nice Life. Ainda não tive oportunidade/vontade de o ouvir mas, inconscientemente ou não, o anterior Deathconsciouness tem rodado bastante por aqui. O trabalho dos HANL é difícil de catalogar: há ali pós-punk, há ali shoegaze, há ali pós-rock e há industrial, mas acima de tudo é daquela música daquela estirpe com a qual é preciso ter um certo cuidado: usar luvas, óculos de protecção e manter fora do alcance de crianças ou mesmo de adultos de compleição psicológica mais frágil.
Ouvir: Have a Nice Life – Bloodhail


Gonçalo M. Tavares – Um Homem: Klaus Klump (2003, Editorial Caminho)
Um Homem : Klaus Klump é o primeiro tomo da tetralogia “O Reino” de Gonçalo M. Tavares, conjunto de romances que têm o Mal como conceito agregador (e do qual faz parte também Jerusalém, vencedor do prémio José Saramago em 2007). Este romance em particular tem como mote principal, mais do que o contar de uma história, uma análise filosófica sobre o comportamento humano em tempo de guerra; para isso serve-se de um conjunto de personagens bastante sui generis e do relato dos seus pensamentos e episódios de vida numa cidade anónima que se encontra imersa num abstracto conflito armado.

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