O que é a música?

Música. Momentos que se repetem e se seguem, uns nos outros. Tal como um quadro mas ao dispor sonoro de todos. Uma simplicidade que se consegue multiplicar dentro de um início e um fim – uma vida em si.. Um grão que se junta a outro grão e são o choque entre estes, aquele momento. Uma sorte que existe por si só. Existe sem palavras e sem imagens e emite-nos sussurros e cor que se forma em emoções. Apreciamos música pois esta induz-nos mudanças neurológicas aprazíveis à nossa realidade e ao nosso ser. Podemos dizer que a música existe na verdade apenas dentro dos nossos cérebros – processamos os seus picos entre o tudo e o nada. Sendo a música um fenómeno de uma complexidade da idade do mundo e do próprio canto da Natureza é-nos impossível perceber a sua invasão pelo nosso mundo interior. O silêncio absoluto é abrasador, a música existe nos silêncios contidos, ouvidos ao longe, muito longe; e das vozes perto que parecem ser a nossa própria voz. E é serena, consegue ser tão serena, tão longe deste mundo que nos fascina – no fundo vivemos numa tentativa defraudada de sair daqui, não aceitamos a Natureza, construímos futuros, prosperamos, avançamos, somos mais civilizados, somos também mais actores , falhamos redondamente… pois reparamos primeiro nas diferenças e só depois nas semelhanças e um dia talvez, saberemos que somos o mesmo separados por enfeites e entraves que nós próprios construímos ou deixamos que construíssem em nós. E se tivéssemos nascido de olhos abertos? Pelo menos temos uma Música. Uma voz que nos constrói. Uma consciência que sendo nós não o somos verdadeiramente; queremos crer na mentira, somos fáceis e razoáveis, vidinhas numa escala global: podres e fundamentais. E mais nada como um tudo que proporciona o próximo amanhã. Nada portanto. .triste. Triste, e música ainda… pelo menos ainda. O tempo fica quieto, a esperar pelo espaço que fosse aquilo que todos queríamos que fosse. Somos Pouco. Mas temos música…

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