Os Heróis e o Método: …a ténue sensação da infinidade

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KTL – V (2012, Editions Mego)
O novo disco de KTL, exercício drone/noise de Stephen O’Malley e Peter “Pita” Rehberg, começa por revelar uma certa idiossincrasia pelas cruzes invertidas sob tons coloridos (da autoria de Mark Fell) que estão presentes na capa. O trabalho inicia-se com longos murmúrios metálicos – explorando drones em baixas frequências. A tensão que percorre cada tema (como se um fio sonoro, interrupto, fosse capaz de nos alienar em diferentes sensações) faz relembrar alguns dos percursores da música minimalista e avant-garde. As cordas e a electrónica (assim como o sintetizador) encontram-se numa espécie elegia à meditação. Destaque ainda para uma participação pouco óbvia mas de um grande músico, Jóhann Jóhannsson,  que cria aqui alguns arranjos orquestrais.

 

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Herbert – Bodily Functions (2001, Studio !K7)
Herbert une no corpo deste disco o fervor do  jazz  e alguma electrónica. Se alguns temas são música para dançar, são também suficientemente relaxados para servirem de música ambiental. Herbert mostra-se exímio na orquestração do groove, no uso de vozes femininas em registo jazz, no despertar do ritmo e da electrónica (da deep house à electrónica experimental). Um disco simpático para os dias em que o sol fica de ressaca.

 

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Hildur Guðnadóttir – Leyfðu Ljósinu (2012, Touch)
Um dos nomes que gostaria de ver ao vivo em Portugal era a Hildur (a par já agora dos KTL). Este disco surge como cartão de visita ideal, uma vez que foi gravado ao vivo e é apresentado exactamente como foi captado. Os instrumentos usados são o violoncelo, electrónica e vozes. Num único tema de mais de 30 minutos é impossível não ficar deslumbrado, seja pela mistura de vozes angelicais, sons hipnóticos, sensação de acalmia em rebate com outros movimentos mais tensos, o embalar do violoncelo, drones que fortalecem os momentos mais fortes… Enfim, tão simples e tão forte – uma perfeita imersão sonora da qual custa acordar.

 

Comentários

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  1. André

    Estou à espera da altura ideal para o novo KTL, dias mais cinzentos talvez. De qualquer maneira, bom saber que está do teu agrado.

    Ao tempo que não ouço um disco da Touch… Aceito a sugestão.

  2. Pedro Nunes

    O Stephen O’Malley, quando achamos que depois de determinado disco/exploração sonora, poderá estar a chegar a um beco sem saída em termos do que fazer a seguir (sem se repetirem métodos), eis que sai da cartola algo entusiasmante. Isto pelo menos nos projectos de maior “visibilidade”, porque depois temos as parcerias a solo etc.

    Quanto à Touch estou como tu, de vez em quando sabe bem ouvir…
    Editora do amplificasónico Phill Niblock e que este ano já contam com mais discos de Fennesz, Oren Ambarchi, Thomas Köner etc.